Baseado em fatos reais
À noite é bela
E o mundo exala seu aroma,
Quem sabe na beleza da noite
O disfarce do perigo.
À noite bela e sua fragrância,
Traz as estrelas e a lua nua,
Na praça dois casais namoram
E sorriem
Como se o dia não terminasse.
À noite está fria,
Os seres se isolam também,
Meninos, adolescentes, homens
Meninas, adolescentes, mulheres,
Deitados em papelão
Todos juntos buscando se esquentar,
Seres abandonados.
À noite é bela…
Ratos saem da toca,
À rua traz outras fragrâncias
De esgoto, pessoas a fazerem o mal,
Assalto, homicídio,
Mães chorando na esquina.
E a noite sempre a encantar
O olhar dos poetas, que escrevem
A paisagem, e os turistas a
Tirarem fotos das fontes,
Onde não tem moradores de rua tomando
Banho.
À noite é bela,
Em Sete Portas, dois casais num
Colchão sujo, infecto,
Se abraçando, um beijando o outro,
Como se estivesse em casa,
Na verdade estavam em casa:
– Meu Deus, eles moram na rua.
Mulher pedindo moeda
Para fumar crack,
E a noite não mais
Parecia bela,
E todos admiravam o casal,
Deitados no colchão,
Namorando, não se incomodavam
Com o passar das pessoas, dos carros,
Da moto…
E tocava uma música,
Que sintonizava os dois ali,
Em cima do colchão.
E a noite é bela,
Fui roubado,
Mas, não levaram
Todo o meu dinheiro:
– Graças a Deus.
Valter Bitencourt Júnior
À noite é bela
E o mundo exala seu aroma,
Quem sabe na beleza da noite
O disfarce do perigo.
À noite bela e sua fragrância,
Traz as estrelas e a lua nua,
Na praça dois casais namoram
E sorriem
Como se o dia não terminasse.
À noite está fria,
Os seres se isolam também,
Meninos, adolescentes, homens
Meninas, adolescentes, mulheres,
Deitados em papelão
Todos juntos buscando se esquentar,
Seres abandonados.
À noite é bela…
Ratos saem da toca,
À rua traz outras fragrâncias
De esgoto, pessoas a fazerem o mal,
Assalto, homicídio,
Mães chorando na esquina.
E a noite sempre a encantar
O olhar dos poetas, que escrevem
A paisagem, e os turistas a
Tirarem fotos das fontes,
Onde não tem moradores de rua tomando
Banho.
À noite é bela,
Em Sete Portas, dois casais num
Colchão sujo, infecto,
Se abraçando, um beijando o outro,
Como se estivesse em casa,
Na verdade estavam em casa:
– Meu Deus, eles moram na rua.
Mulher pedindo moeda
Para fumar crack,
E a noite não mais
Parecia bela,
E todos admiravam o casal,
Deitados no colchão,
Namorando, não se incomodavam
Com o passar das pessoas, dos carros,
Da moto…
E tocava uma música,
Que sintonizava os dois ali,
Em cima do colchão.
E a noite é bela,
Fui roubado,
Mas, não levaram
Todo o meu dinheiro:
– Graças a Deus.
Valter Bitencourt Júnior
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