“A minha curiosidade é viver-te”

— E tu? O que sentes quando tocas em mim?

O meu corpo também te fala assim como o teu fala comigo?

 

— Eu vejo uma escultura viva, que não podia ter sido feita por mãos humanas, existe calor o suficiente para me aconchegar na noite e frescor o suficiente para contrastar o calor que carrego ao peito, como que se não importasse a temperatura que precisasse, tu ofereces as duas.

 

Cada linha é fluida, e eu posso me agarrar aos contornos da tua cintura como se fossem feitos para as minhas mãos, mas o que mais gosto mesmo, é percorrer as tuas costas com as palmas das minhas mãos, ainda que ela tenha limites, eu podia explorar e explorar e todos os dias seria diferente, todos os dias seria único.

 

Quando te ergo acima de mim, abraçando as tuas costas, é como erguer o mundo, e é a única vez em que o mundo não é pesado, esse mundo é leve, mas tem tudo.

 

Eu sou rígido, tu tens uma fluidez que me atrai, eu acalco e agarro e a tua pele afunda e acompanha, como na dança de cedência entre as peles, não tenho a curiosidade de querer conhecer, a minha curiosidade é o de querer viver o mesmo todos os dias, porque é sempre diferente e é sempre bom.

 

E ao tocar na tua delicadeza, eu sinto uma responsabilidade de te proteger e acompanhar, é também o momento onde os meus sonhos mais vívidos e prazerosos não só se tornam realidade, como são plenos, e sinto que não quero deixar escapar nem um centímetro teu, e quero-te por inteira — e em liberdade.

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