Indecifráveis desejos



Corre um silêncio para mim
Desagua nas margens do tempo
Cerzido e vivificado por lembranças
Outrora fugazes e tão indecifráveis

Alimenta todos os diálogos fraternos
Gravados na memória mais vulnerável
Onde gratuitas esperanças despertam
Inabalavelmente loquazes e mais afáveis

E se pintasse a alma deixava na tela
Da sua solidão um derradeiro suspiro
De ilusão flamejando entre os neurónios
De muitos insensatos desejos em reclusão

Vesti a manhã com palavras pulsando
Desinibidas e intocáveis embalando este
Imenso silêncio quase abissal onde anexo
Uma oração incansável, perplexa...intemporal

Frederico de Castro
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