A dor que dilacera os olhos....
Não sei porque de vez em quando essa frase de Cecília Meireles me vem a mente. "A maior pena que tenho, punhal de prata, não é a de me ver morrendo, mas saber quem me mata". A dor que dilacera os olhos, encobre sorrisos e anoitece a alma. Fui perguntado porque não me sensibilizei quando estive no Museu dos Direitos Humanos em Santiago. Porque não chorei. Não consegui explicar. Da Praça de Armas até o Museu é um bom pedaço caminhado. O sol escaldante e Santiago com suas ruas transversais, sua arquitetura mais para o neo clássico do que para o colonial faziam meus olhos cintilarem junto ao sol.
O certo é que caminhávamos e perseguíamos as ruas. Em minha cabeça uma interrogação. O que haveria de se ver naquele museu? Por um breve momento fiquei atônito com a buzina de um carro e um estrondo. Coisa sem importância no país de um antigo Pinochet. Continuamos a seguir. Do ponto onde se estava a rua se alargou, era possível ver a praça, um parque e ao lado o Museu dos Direitos Humanos.
Depois de uma breve parada, descemos as escadas com passos lentos, o suor perseguia minha camisa e acomodava sua salinidade em meus poros. Entramos e como se fosse um túnel do tempo começamos a ver o quão a dor dilacera os sonhos. Sonhos que se apagam pelo assopro de uma bala. Fiquei meio confuso e confesso que, em cada passo uma revelação se fazia angustiante, um sofrimento silencioso, uma dor muda. Os corredores do museu eram preenchidos pela história sem flor. Algumas dezenas de alunos que, de forma atenciosa, via e ouvia a explicação do mestre. Lembrei da música Sentinela do Milton. "...memória não morrerá...". Naquele dia, cada andar carregava angustias diferenciadas. Mantive-me anestesiado.
Minha companheira, soluçava a cada foto ou fato que via, seus olhos merejados dialogavam com a dor. Até parecia que era transportada para um labirinto sem fim. Continuava com meu semblante a parecer inquebrável, sisudo, aparentemente. O elevador, o badalar do sino em meu coração o fazia mais fraco a cada batida. Continuava firme. Na parede, o escrito de Carlos: "Para mi madre, mi hermana y mi amigo, Personas que quería encontrar." Queria saber, queria reencontrar, sabia que era impossível. Engoli seco e segui. A foto do pai guatemalteco que sobre a cova de seus três filhos observava o tempo. Não foi possível ver os seus olhos, acho que não suportaria vê-los.
Saímos e voltamos. Depois de compreender um ponto sobre o golpe militar saímos novamente e tomamos um café. Ficamos ali por uns breves minutos. O silêncio continuava a me acompanhar. Se eu chorei? Somente minha alma sabe. "Un pueblo sen memoria es um pueblo sin futuro."
O certo é que caminhávamos e perseguíamos as ruas. Em minha cabeça uma interrogação. O que haveria de se ver naquele museu? Por um breve momento fiquei atônito com a buzina de um carro e um estrondo. Coisa sem importância no país de um antigo Pinochet. Continuamos a seguir. Do ponto onde se estava a rua se alargou, era possível ver a praça, um parque e ao lado o Museu dos Direitos Humanos.
Depois de uma breve parada, descemos as escadas com passos lentos, o suor perseguia minha camisa e acomodava sua salinidade em meus poros. Entramos e como se fosse um túnel do tempo começamos a ver o quão a dor dilacera os sonhos. Sonhos que se apagam pelo assopro de uma bala. Fiquei meio confuso e confesso que, em cada passo uma revelação se fazia angustiante, um sofrimento silencioso, uma dor muda. Os corredores do museu eram preenchidos pela história sem flor. Algumas dezenas de alunos que, de forma atenciosa, via e ouvia a explicação do mestre. Lembrei da música Sentinela do Milton. "...memória não morrerá...". Naquele dia, cada andar carregava angustias diferenciadas. Mantive-me anestesiado.
Minha companheira, soluçava a cada foto ou fato que via, seus olhos merejados dialogavam com a dor. Até parecia que era transportada para um labirinto sem fim. Continuava com meu semblante a parecer inquebrável, sisudo, aparentemente. O elevador, o badalar do sino em meu coração o fazia mais fraco a cada batida. Continuava firme. Na parede, o escrito de Carlos: "Para mi madre, mi hermana y mi amigo, Personas que quería encontrar." Queria saber, queria reencontrar, sabia que era impossível. Engoli seco e segui. A foto do pai guatemalteco que sobre a cova de seus três filhos observava o tempo. Não foi possível ver os seus olhos, acho que não suportaria vê-los.
Saímos e voltamos. Depois de compreender um ponto sobre o golpe militar saímos novamente e tomamos um café. Ficamos ali por uns breves minutos. O silêncio continuava a me acompanhar. Se eu chorei? Somente minha alma sabe. "Un pueblo sen memoria es um pueblo sin futuro."
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