PERDOA-ME
Perdoa-me
Se nas horas de amor,
Olhei para o horizonte do dissabor;
Se nas noites de prazer,
Chorei por querer esquecer sentimentos.
Perdoa-me
Se fiz do sol um brilho qualquer,
Resvalei na escuridão da ingratidão,
Se os meus sonhos não se fizeram compreensíveis,
Se minha alma aboliu o incenso do amor.
Se permaneci virgem nas palavras
E os meus afetos perderam o contraste da primavera.
Perdoa-me
Se não libertei-me dos pesadelos da adolescência,
Se engavetei os meus poemas,
Se não plantei flores, rasguei os meus amores
E pus-me sentado nas pedras do caminho; deixei-me levar pela sonolência.
Se exagerei na dose da omissão do eu te amo
E deixei o tempo passar, sem ao menos teus lábios tocar
Se desprezei o teu coração, se o fiz sentir prantos.
Perdoa-me
Se ainda não sei quem sou
Se não ouço mais a voz do amor
E se a vida insiste em brigar comigo no canto da saudade
- Charlan Fialho
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