Prazer de Poeta

Pelas lágrimas que te arranco
é sobre elas que me deito
E quanto mais rasgo seu peito
Mais barulho tem meu ronco.

Porque o teu pranto me alimenta
E ali eu não minto.
Sairá tudo que eu sinto
Até a dor que a gente aumenta.

Porque eu quero te fazer sangrar
Sem te encostar um dedo
E por seguir sem sentir medo
Vai me ouvir até enjoar.

Porque o prazer do poeta
Está no arrepio de quem ouve
E não há que não se comove
Com uma dor sincera de bonita.

E por mais que ainda duvide
Estará hipnotizado pela rima
E quando achar estar por cima
Não haverá mais quem te acude.

Por fim, um recado formal.
A ti que escrevo,
Futuro e prezado escravo
Prazer, sou aspirante a tal.
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