EU RIO DA VILA
A cabeceira da ponte ruiu
Despegou-se decidida
Decapitando a Cidade da Vila
O Norte do Centro
Repartindo a pista
Como alguém que resolve
Divorciar-se de si mesma.
Cansara desse leva e traz
Das mazelas que fazem com as beiras
Com o relaxo empestado
Ao meu frágil leito e às carcomidas margens
Danificadas por erosões tenebrosas
Que se roem em covas
Decompondo ideais e cadáveres.
Quem a vê pensa ser apenas
Uma manta de ferro e argila
Soerguida entre dois conceitos.
Não enxerga suas mãos
Resolutas soltarem-se dos laços
Entre as castas, dentre os sustentos
Abrindo as alças em braços
Encolhendo as pernas
Vertiginando o volume das bases
Implorando auxilio em meu socorro.
Tentam reata-la com gosma
Cimento, sarcasmo, aço, suor e pedras
Como quem sutura artérias
Após um escaldante infarto
Devido ao intenso tráfego de
Sódio, fumaça e gordura.
Por debaixo da viva laje
Rio amargo teimando intermitente
Escoando ignóbil tudo o que lava e declina
Lambe barranco e ferve os nervos
Dos seios de uma gente insólita
Que vem e vai sobre o asfalto
Remendado e partido
Sem apiedar-se de minhas águas pardas
Que se deitam fétidas e quase sólidas
Entre limbo, lodo, lixo, fuligem e folhagens
No azedo da beira do mar.
Despegou-se decidida
Decapitando a Cidade da Vila
O Norte do Centro
Repartindo a pista
Como alguém que resolve
Divorciar-se de si mesma.
Cansara desse leva e traz
Das mazelas que fazem com as beiras
Com o relaxo empestado
Ao meu frágil leito e às carcomidas margens
Danificadas por erosões tenebrosas
Que se roem em covas
Decompondo ideais e cadáveres.
Quem a vê pensa ser apenas
Uma manta de ferro e argila
Soerguida entre dois conceitos.
Não enxerga suas mãos
Resolutas soltarem-se dos laços
Entre as castas, dentre os sustentos
Abrindo as alças em braços
Encolhendo as pernas
Vertiginando o volume das bases
Implorando auxilio em meu socorro.
Tentam reata-la com gosma
Cimento, sarcasmo, aço, suor e pedras
Como quem sutura artérias
Após um escaldante infarto
Devido ao intenso tráfego de
Sódio, fumaça e gordura.
Por debaixo da viva laje
Rio amargo teimando intermitente
Escoando ignóbil tudo o que lava e declina
Lambe barranco e ferve os nervos
Dos seios de uma gente insólita
Que vem e vai sobre o asfalto
Remendado e partido
Sem apiedar-se de minhas águas pardas
Que se deitam fétidas e quase sólidas
Entre limbo, lodo, lixo, fuligem e folhagens
No azedo da beira do mar.
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