Imprevisível
Imprevisível seu rolar na cama,
o sono, o sobressalto, o hálito quente,
o semblante maroto de quem ama
e guarda em si o segredo da semente.
Quase um murmúrio o nome que ela chama,
enquanto sonha alguma cena ardente,
e a expressão sensual revela a flama
e o cheiro de seu corpo, o que ela sente.
Dorme o tempo, esquecido nas cobertas,
uma réstia de luz vai pelo quarto,
faz dançar a poeira que desperta.
A vida é sucessão da dor dos partos
– começa pelas bocas entreabertas –
eclode no calor de amantes fartos.
Nilza Azzi
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