PROVÉRBIOS
Mercador de sentimentos e provérbios
Rebusco palavras aos quilos
Desde as formosas às peregrinas
Das pequeninas às mais intensas
Refinadas, densas, sublimes, enciumadas
Palavras ditas impensadas, que pesam
Quantas vezes necessário
- Subliminares, divinas, necessárias
Insossas, complexas, inclusive mal ditas
Trucidadas pelas intenções
Espetadas em frases desconexas, gaguejadas
Impronunciáveis, malfadadas, semitônicas
Moduladas em versos empíricos
Recolhidas dentre as mais pudicas sílabas
Recheando frases oclusas, pareadas
Em todos os dialetos e idiomas
Compro-as enciclopediadas ao atacado
Em arquivos e livros empilhados feito containers
Com acentos ou débeis recontos desprovidos motivacionais
Onde não se assenta nem se acentua mas significam pelo fim
Destas que os cancioneiros compõem os seus temas
E as amas sussurram às crias sob o silêncio do sono
Palavras incandescentes, próximas ou distantes
Das que resultam das experiências dos pensamentos singulares
Pluralizadas, grafadas em papéis doentes, ou banhadas a ouro
Incautas, redistribuídas por fictícias pautas, pausadas
Confidenciais, manuscritas, acondicionadas em compêndios
Históricas, atenuadas, presentes, absorvidas na leitura
E as animalescas vomitadas pela hermética da ira
Também as sinônimas e as justas à razão
Que repreendem e até mesmo humilham
Que perambulam entre a escória e o fedor
Alvejadas, cansadas por não terem sido tão ditas
Propaladas, preparadas para o ludibrio
Impressas, impregnadas da razão cautelar
Compiladas em extensas teses expressando o obvio
Ou díspares monossilábicos que insinuam guerra e barbárie
As catalogadas pelos sábios, doutos pensadores e nos tribunais
Rebuscadas na intrínseca genialidade na verve dos oradores nos sublimes púlpitos
Vistas nos conceitos e preceitos das bulas morfológicas dos senados
Desapercebidas e desapropriadas nas ocultas entrelinhas contratuais
Sistêmicas, conjeturais, carnavalescas, infectadas de adjuntos
Preconceituosas, carnais, comichadas, úmidas, secas, engolidas
Aficionadas por antagonismos, sem rumo e rimas
Bem aventuradas, apocalípticas, consonantes, adverbiais
Não somente as negocio sem sentimentos
Mas oferto-as labiais, transigentes e lapidadas
Não as capto ou sirvo como molécula e matéria
Elas sim inocentes me tomam rasteiras
Espumam entre a saliva, a língua, diafragma e dentes
E se fazem prediletas nas infinitas orações
Presentes deste universo racional que tudo fala
Ainda que emudecidas calem os horizontes
Desde sempre, amanhã e ontem semeadas
Sim sou mercador de sentimentos
Por onde intransponível a insensatez escorre
Negociador nato de provérbios e nesgas palavras
Enquanto se respira e ora pelo cálice, o acaso e o agora
Porque ornarão o espelho da indizível lápide
Do dorso um dia frágil que a seu tempo morre
Rebusco palavras aos quilos
Desde as formosas às peregrinas
Das pequeninas às mais intensas
Refinadas, densas, sublimes, enciumadas
Palavras ditas impensadas, que pesam
Quantas vezes necessário
- Subliminares, divinas, necessárias
Insossas, complexas, inclusive mal ditas
Trucidadas pelas intenções
Espetadas em frases desconexas, gaguejadas
Impronunciáveis, malfadadas, semitônicas
Moduladas em versos empíricos
Recolhidas dentre as mais pudicas sílabas
Recheando frases oclusas, pareadas
Em todos os dialetos e idiomas
Compro-as enciclopediadas ao atacado
Em arquivos e livros empilhados feito containers
Com acentos ou débeis recontos desprovidos motivacionais
Onde não se assenta nem se acentua mas significam pelo fim
Destas que os cancioneiros compõem os seus temas
E as amas sussurram às crias sob o silêncio do sono
Palavras incandescentes, próximas ou distantes
Das que resultam das experiências dos pensamentos singulares
Pluralizadas, grafadas em papéis doentes, ou banhadas a ouro
Incautas, redistribuídas por fictícias pautas, pausadas
Confidenciais, manuscritas, acondicionadas em compêndios
Históricas, atenuadas, presentes, absorvidas na leitura
E as animalescas vomitadas pela hermética da ira
Também as sinônimas e as justas à razão
Que repreendem e até mesmo humilham
Que perambulam entre a escória e o fedor
Alvejadas, cansadas por não terem sido tão ditas
Propaladas, preparadas para o ludibrio
Impressas, impregnadas da razão cautelar
Compiladas em extensas teses expressando o obvio
Ou díspares monossilábicos que insinuam guerra e barbárie
As catalogadas pelos sábios, doutos pensadores e nos tribunais
Rebuscadas na intrínseca genialidade na verve dos oradores nos sublimes púlpitos
Vistas nos conceitos e preceitos das bulas morfológicas dos senados
Desapercebidas e desapropriadas nas ocultas entrelinhas contratuais
Sistêmicas, conjeturais, carnavalescas, infectadas de adjuntos
Preconceituosas, carnais, comichadas, úmidas, secas, engolidas
Aficionadas por antagonismos, sem rumo e rimas
Bem aventuradas, apocalípticas, consonantes, adverbiais
Não somente as negocio sem sentimentos
Mas oferto-as labiais, transigentes e lapidadas
Não as capto ou sirvo como molécula e matéria
Elas sim inocentes me tomam rasteiras
Espumam entre a saliva, a língua, diafragma e dentes
E se fazem prediletas nas infinitas orações
Presentes deste universo racional que tudo fala
Ainda que emudecidas calem os horizontes
Desde sempre, amanhã e ontem semeadas
Sim sou mercador de sentimentos
Por onde intransponível a insensatez escorre
Negociador nato de provérbios e nesgas palavras
Enquanto se respira e ora pelo cálice, o acaso e o agora
Porque ornarão o espelho da indizível lápide
Do dorso um dia frágil que a seu tempo morre
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