espero-te...
aquele doce cansaço
depois do amor é ouro
sobre prata, que de satisfação
quase nos mata,
depois dum mar tempestuoso
ficamos um lago sereno
um sorriso quase de adolescência
deslumbrados de amor
dispostos a amar a vida
como se esta fosse primavera em flor
espero-te
sempre com o mesmo fogo
e a frescura duma manhã orvalhada
e no regaço da noite nos amamos
pela hora calada
chegaste à minha vida
quando tudo era sol em mim
água sedenta, num infinito frenesim
éramos asas do mesmo pássaro
num voo sem medida
numa felicidade sentida
entregava-me numa ânsia de ti
e palavras de amor ressoavam
aqui e ali...
hoje basta-me o teu olhar
para os sonhos inventar.
nossos dias esvoaçam
qual cortina dançando ao vento
e eu menina, ainda acalento
uma insólita espera de voltar no tempo
em que tudo era primavera.
natalia nuno
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