UM TANTO DE MIM
Estou ensaiando escrever as minhas memórias
Mas lembro-me tão pouco de tudo
Apenas que havia ruas sem calçadas e vastos nacos de areia
Por onde saltava descalço para não empoeirar as ideias
Mangueiras imensas que sombreavam formigueiros
Com galhos repletos de ninhos amplamente habitados
Porteiras às vezes abertas por onde escapavam os temerosos sonhos
Conversas e cumprimentos entre uma barranca e outra do rio
Capins e flores rasteiras, quiçaça, cheirosas goiabas maduras
Guavira, guariroba, ipês, angelim, manjericão
Mãos que acenavam dizendo vem - nunca de adeus
Corais de insetos, aves e animais que se recolhiam por nome
Buscava a forquilha perfeita para um bom estilingue
E pedaços quaisquer de corda ou condão para armar arapucas
Não sentia fome, nem sede, nem esperança de crescer
Apenas a qualquer hora e momento uma irresistível vontade de pecar
As casas eram pequeninas, grande o tamanho dos dias
E os dias eram maiores que o ar que respirava
Não havia rastros, seguia apenas exemplos
Sem guias, cabrestos, rédeas, normas, leis, ordens
Estou tentando explanar minhas lembranças
Mas sinto que as esqueci guardadas por entre folhas no chão
Será imensamente mais fácil perguntar a você
Quem sabe um tanto de mim
Mas lembro-me tão pouco de tudo
Apenas que havia ruas sem calçadas e vastos nacos de areia
Por onde saltava descalço para não empoeirar as ideias
Mangueiras imensas que sombreavam formigueiros
Com galhos repletos de ninhos amplamente habitados
Porteiras às vezes abertas por onde escapavam os temerosos sonhos
Conversas e cumprimentos entre uma barranca e outra do rio
Capins e flores rasteiras, quiçaça, cheirosas goiabas maduras
Guavira, guariroba, ipês, angelim, manjericão
Mãos que acenavam dizendo vem - nunca de adeus
Corais de insetos, aves e animais que se recolhiam por nome
Buscava a forquilha perfeita para um bom estilingue
E pedaços quaisquer de corda ou condão para armar arapucas
Não sentia fome, nem sede, nem esperança de crescer
Apenas a qualquer hora e momento uma irresistível vontade de pecar
As casas eram pequeninas, grande o tamanho dos dias
E os dias eram maiores que o ar que respirava
Não havia rastros, seguia apenas exemplos
Sem guias, cabrestos, rédeas, normas, leis, ordens
Estou tentando explanar minhas lembranças
Mas sinto que as esqueci guardadas por entre folhas no chão
Será imensamente mais fácil perguntar a você
Quem sabe um tanto de mim
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