Etílico. Idílico.
Eu odeio essa coisa de alvorada. Não é que eu seja um desses fissurados pela artificialidade dessas luzes intermitentes que complementam a luz natural da lua cheia. É só uma sensação horrível que sinto de que com o passar deve véu nefasto e complacente da noite, eu terei que encarar essa realidade lúcida, Iluminada, límpida e morna; sempre morna, personificando os problemas verdadeiros que os seres diurnos tem que enfrentar. Por mais que meus amigos discordem, eu levo comigo a ideia de que todos os dias deveriam ser noite. Imaginem; seres bêbados vagando sem rumo com suas ideias prolixas e com suas verdades enaltecidas pelo álcool, sendo quem são de verdade e cambaleando sôfregos, por terem perdido tanto tempo tentando merecer a aceitação daqueles seres matutinos e reprimidos. Porque não matamos todos os galos, eu particularmente odeio os galos, pontuando cirurgicamente o momento certo de acordar em cacarejos escandalosos que ricocheteiam nessa minha mente displicente que só se preocupa com a próxima noitada. Eu sou um inimigo declarado do dia!
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Taberna do Sol Poente
Dodge Leal
A trilha da dor não é eterna, E me formei com diplomas... Meu Deus! — naquela taberna! Mas lá é a ruína dos axiomas.…
Julian Lael
Tudo o que pedi
Juntos, sem questionar,
no ritmo de Caribe clássico,
muito além dos petroglifos.
Ler com o que há de mais fino:
o casamento s…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Carta lacrada.
Esta carta lacrada em selo vermelho é para ti... que nunca irei conhecer... pois nunca me observou andando nas ruas desertas de minha cid…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Palavras escritas.
Tudo que escrevo se torna em vão - não há resposta das palavras escritas : com muito amor e muita alegria - satisfação. Tudo que penso …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*