Ei Elisa, você desceu pelas montanhas sagradas. Viria me visitar nesta terra deflorada, onde os homens estão suscetíveis a toda má sorte. No caminho, animais eretos e mascarados dançavam dando voltas e voltas ao redor da fogueira trepidante. Você se distraiu, pois você é facilmente abalada pela barbárie. Eles alimentavam-se de camundongos, aquilo seria um ritual de purificação? "As fagulhas fumegantes são como a chuva do deserto" - você pensou. Elisa, você continuou caminhando, se desvencilhando dos ganhos das árvores, andando cada vez mais rápido, até finalmente se pegar correndo no meio da mata. Os espectros noturnos lhe causavam surtos de medo momentâneos e, consequentemente, risos desconcertados depois de uma auto avaliação. "Que boba" - você dizia sussurrando. Quando você chegou ao mundo dos vivos, eu estava lá; sentado ao pé de um pinheiro vencido pelo tempo, mexendo com os pinhos carcomidos pelos fungos. Eu falava de mundos que desconhecia, de terras onde jamais poderia pisar, eu queria ser tão sagrado quanto você, contudo os seus dedos cálidos e seu hálito morno, me traziam de volta para a aridez de meus dias. Seu rosto me ignorava, como uma porta que bate ruidosamente. E ai, quando você se distanciou a passos lentos, uma nuvem de poeira cobriu-me. Meus olhos, embotados de poeira, te seguiram pelo caminho vazio, até sua presença se tornar um completo silêncio. "Saindo da semente de sua mente rasa, toda noite?".
Ei Elisa, você desceu pelas montanhas sagradas. Viria me visitar nesta terra deflorada, onde os homens estão suscetíveis a toda má sorte. No caminho, animais eretos e mascarados dançavam dando voltas e voltas ao redor da fogueira trepidante. Você se distraiu, pois você é facilmente abalada pela barbárie. Eles alimentavam-se de camundongos, aquilo seria um ritual de purificação? "As fagulhas fumegantes são como a chuva do deserto" - você pensou. Elisa, você continuou caminhando, se desvencilhando dos ganhos das árvores, andando cada vez mais rápido, até finalmente se pegar correndo no meio da mata. Os espectros noturnos lhe causavam surtos de medo momentâneos e, consequentemente, risos desconcertados depois de uma auto avaliação. "Que boba" - você dizia sussurrando. Quando você chegou ao mundo dos vivos, eu estava lá; sentado ao pé de um pinheiro vencido pelo tempo, mexendo com os pinhos carcomidos pelos fungos. Eu falava de mundos que desconhecia, de terras onde jamais poderia pisar, eu queria ser tão sagrado quanto você, contudo os seus dedos cálidos e seu hálito morno, me traziam de volta para a aridez de meus dias. Seu rosto me ignorava, como uma porta que bate ruidosamente. E ai, quando você se distanciou a passos lentos, uma nuvem de poeira cobriu-me. Meus olhos, embotados de poeira, te seguiram pelo caminho vazio, até sua presença se tornar um completo silêncio. "Saindo da semente de sua mente rasa, toda noite?".
295
Elisa
Elisa, você exigiu de mim pureza. Em minhas ações despreocupadas você tentou nortear os meus passos sobe o julgo dessa sua bússola de bolso. Eu gritei bem alto: " me deixe aqui, em qualquer lugar e esqueça". Seus olhos cheios de ternura me olharam, falido e descalço, pela última vez. O frio asfalto queimou os meu pés e a chuva foi vagarosamente fazendo com que eu entrasse bem pra dentro de mim. Era noite e amanheceu. A luz clara e lúcida me despertou logo no momento em que eu me enconhia e esquecia do calor do teu corpo. Elisa, não me esqueça!
298
Elisa
Elisa, o vento frio carrega as nuvens que garoam sobre a sua cabeça, e enquanto você anda lentamente em direção a sua casa, mais preocupada com o destino dos carros que consigo mesma, eu pacientemente a aguardo, protegido do sereno, no ponto de ônibus. Nenhum de nós dois quer chegar em casa. O frio da noite e os presságios de chuva nos interessam bem mais que o conforto dos cobertores ou o vapor do café recém-preparado. Você espera ansiosamente que as primeiras gotas que caírem sobre sua pele, libertem-na do vazio ao qual você sucumbiu. Já eu, em minha temeridade, aguardo sua chegada e um provável convite para valsar na chuva. Eu sei que sua contemplação das coisas é um mistério, que pode tanto demandar um segundo quanto um ano inteiro. Desisti de consola-la, pois para mim é clara a sua inclinação para as coisas que transcendem o meu entendimento, e as palavras de conforto que existem em meu pobre vocábulo, servem apenas para extrair de ti um olhar de complacência. Por isso, eu me limito a esperar apenas um singelo gesto, onde você estende uma de suas mãos, e sem nenhuma palavra, me convida para dançar sobe a tempestade.
287
Berlin
Querida, adormeça sem medo. Feche os olhos e não pense na guerra. Sinta a brisa sem o cheiro de pólvora. Em seus sonhos, toque o trigo que nasce no campo. Tão amarelo como a cor dos seus cabelos e imaculado pelo sangue. Durma como nos primeiros dias, quando o ódio era tão pequeno quanto a passageira raiva dos teus pequenos filhos. Hoje você não ouvirá os canhões ou as metralhadoras rasgando o céu. Teus olhos tenros só despertarão com o canto das aves ou o brado do galo anunciando a aurora. Minhas mãos vão te acariciar e te resguardar do mal que invade bravio, como clarins de guerra, os nossos pensamentos. Durma calmamente, e pense nos teus dias de paz que ainda não chegaram.
185
Beira mar
Eu andei pela beira mar. Atravessei, pelas faixas, todos os sinais vermelhos. Olhei a ponte iluminada e sobe as luzes observei as ondas subirem até o cais. Mas aqui não é tão longe de casa, e a tristeza veio depressa pegando um atalho pelo subsolo, saiu na Sé e desceu rolando pelas escadarias do beco, bem na hora do meu primeiro trago. Talvez não seja tão tarde, pois um homem triste me espreita em frente ao bar do porto. Talvez ele espere que eu dê um sorriso, ou que minha tristeza o sobressalte....
105
Lady of the forest
Senhora da floresta, proteja os filhos de Durin. Pois so seu brilho pálido pode confortar os corações aflitos. E somente suas histórias que falam sobre a graça dos vallar os encorajarão no temor da guerra. És a nobre senhora antiga, cuja as lágrimas fizeram com que as árvores saíssem de sua dormência ao teu socorro. As folhas destas, escondem teu povo do mal que vem de além das montanhas. Senhora das flores e mãe de toda a fauna da terra, tu podes acalmar o bravio rio ou impaciente mar. A escuridão assombra o mundo dos homens, e os homens se corrompem em meio a escuridão que avança. Contudo, tu senhora, poderá guiar no prado ou nas montanhas longínquas, a seta de nossas ações.
121
REGINA
Regina, distingui em teus verdes olhos os planetas e as estrelas no céu distante. Enquanto tu olhavas para o céu enevoado, procurando os astros que eu apontava sem saber. Eu refletia sobre mundos bem mais terrenos e íntimos. Tu disseste que tuas crises existenciais não possuiam fundamentos e que se tu sofria, sofria se não por uma causa que teus pobres sentidos não puderam ainda conhecer. Regina, o mundo não é esteticamente perfeito e polido como nossos ínfimos objetivos. Quantas vezes sofreste no escuro canto do teu quarto e quantas vezes me alegrei por estar no que eu dizia ser o melhor lugar do meu mundo. Posso tragar para dentro de mim todos os teus anseios. Morreria arquejante, diria teu nome três vezes ou o meus motivos uma so vez. Haveria beleza em meu torso asfixiado, e morreria roxo, pois roxo é tua cor preferida.
135
Berlin
Querida, adormeça sem medo. Feche os olhos e não pense na guerra. Sinta a brisa sem o cheiro de pólvora. Em seus sonhos, toque o trigo que nasce no campo. Tão amarelo como a cor dos seus cabelos e imaculado pelo sangue. Durma como nos primeiros dias, quando o ódio era tão pequeno quanto a passageira raiva dos teus pequenos filhos. Hoje você não ouvirá os canhões ou as metralhadoras rasgando o céu. Teus olhos tenros só despertarão com o canto das aves ou o brado do galo anunciando a aurora. Minhas mãos vão te acariciar e te resguardar do mal que invade bravio, como clarins de guerra, os nossos pensamentos. Durma calmamente, e pense nos teus dias de paz que ainda não chegaram.
154
Berlin
Querida, adormeça sem medo. Feche os olhos e não pense na guerra. Sinta a brisa sem o cheiro de pólvora. Em seus sonhos, toque o trigo que nasce no campo. Tão amarelo como a cor dos seus cabelos e imaculado pelo sangue. Durma como nos primeiros dias, quando o ódio era tão pequeno quanto a passageira raiva dos teus pequenos filhos. Hoje você não ouvirá os canhões ou as metralhadoras rasgando o céu. Teus olhos tenros só despertarão com o canto das aves ou o brado do galo anunciando a aurora. Minhas mãos vão te acariciar e te resguardar do mal que invade bravio, como clarins de guerra, os nossos pensamentos. Durma calmamente, e pense nos teus dias de paz que ainda não chegaram.
160
Vermelho Sinal
Oh Triste amor, eu fugi de casa. Oh Triste amor, eu vi de perto os sinais vermelhos, tão quentes quanto os olhos do demônio. E os carros iam e vinham e eu não só podia sentir o calor dos motores, como também dos corações que os moviam. Oh triste amor, dê-me um pouco da vida que há em seu coração, porque a minha vida é fugidia como as sombras por detrás das luzes dos postes; como a brisa que massageia os teus cabelos. O teu ódio do mundo me contaminou, ou foi o meu olhar que congelou no ponto mais escuro da estrada? As palavras estão voando. Elas vazam através da minha pele, emudecendo as sensações. Caindo estou! Caindo sobre uma fossa cheia de lembranças suas. Me permeio com os seus pensamentos, com os seus anseios e sinto a mesma angústia que ricocheteou no teu ventre até que você não pudesse mais resistir. Oh triste amor, o meu corpo está se dobrando enquanto afunda na cama mais e mais. O que restará de mim no final?