Lista de Poemas

Elisa

Elisa, o vento frio carrega as nuvens que garoam sobre a sua cabeça, e enquanto você anda lentamente em direção a sua casa, mais preocupada com o destino dos carros que consigo mesma, eu pacientemente a aguardo, protegido do sereno, no ponto de ônibus. Nenhum de nós dois quer chegar em casa. O frio da noite e os presságios de chuva nos interessam bem mais que o conforto dos cobertores ou o vapor do café recém-preparado. Você espera ansiosamente que as primeiras gotas que caírem sobre sua pele, libertem-na do vazio ao qual você sucumbiu. Já eu, em minha temeridade, aguardo sua chegada e um provável convite para valsar na chuva. Eu sei que sua contemplação das coisas é um mistério, que pode tanto demandar um segundo quanto um ano inteiro. Desisti de consola-la, pois para mim é clara a sua inclinação para as coisas que transcendem o meu entendimento, e as palavras de conforto que existem em meu pobre vocábulo, servem apenas para extrair de ti um olhar de complacência. Por isso, eu me limito a esperar apenas um singelo gesto, onde você estende uma de suas mãos, e sem nenhuma palavra, me convida para dançar sobe a tempestade.
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MYKONOS

Ei Elisa, você desceu pelas montanhas sagradas. Viria me visitar nesta terra deflorada, onde os homens estão suscetíveis a toda má sorte. No caminho, animais eretos e mascarados dançavam dando voltas e voltas ao redor da fogueira trepidante. Você se distraiu, pois você é facilmente abalada pela barbárie. Eles alimentavam-se de camundongos, aquilo seria um ritual de purificação? "As fagulhas fumegantes são como a chuva do deserto" - você pensou. Elisa, você continuou caminhando, se desvencilhando dos ganhos das árvores, andando cada vez mais rápido, até finalmente se pegar correndo no meio da mata. Os espectros noturnos lhe causavam surtos de medo momentâneos e, consequentemente, risos desconcertados depois de uma auto avaliação. "Que boba" - você dizia sussurrando. Quando você chegou ao mundo dos vivos, eu estava lá; sentado ao pé de um pinheiro vencido pelo tempo, mexendo com os pinhos carcomidos pelos fungos. Eu falava de mundos que desconhecia, de terras onde jamais poderia pisar, eu queria ser tão sagrado quanto você, contudo os seus dedos cálidos e seu hálito morno, me traziam de volta para a aridez de meus dias. Seu rosto me ignorava, como uma porta que bate ruidosamente. E ai, quando você se distanciou a passos lentos, uma nuvem de poeira cobriu-me. Meus olhos, embotados de poeira, te seguiram pelo caminho vazio, até sua presença se tornar um completo silêncio.
"Saindo da semente de sua mente rasa, toda noite?".
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Elisa

Elisa, você exigiu de mim pureza. Em minhas ações despreocupadas você tentou nortear os meus passos sobe o julgo dessa sua bússola de bolso. Eu gritei bem alto: " me deixe aqui, em qualquer lugar e esqueça". Seus olhos cheios de ternura me olharam, falido e descalço, pela última vez. O frio asfalto queimou os meu pés e a chuva foi vagarosamente fazendo com que eu entrasse bem pra dentro de mim. Era noite e amanheceu. A luz clara e lúcida me despertou logo no momento em que eu me enconhia e esquecia do calor do teu corpo. Elisa, não me esqueça!
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Berlin

Querida, adormeça sem medo. Feche os olhos e não pense na guerra. Sinta a brisa sem o cheiro de pólvora. Em seus sonhos, toque o trigo que nasce no campo. Tão amarelo como a cor dos seus cabelos e imaculado pelo sangue. Durma como nos primeiros dias, quando o ódio era tão pequeno quanto a passageira raiva dos teus pequenos filhos. Hoje você não ouvirá os canhões ou as metralhadoras rasgando o céu. Teus olhos tenros só despertarão com o canto das aves ou o brado do galo anunciando a aurora. Minhas mãos vão te acariciar e te resguardar do mal que invade bravio, como clarins de guerra, os nossos pensamentos. Durma calmamente, e pense nos teus dias de paz que ainda não chegaram.
146

Vermelho Sinal

Oh Triste amor, eu fugi de casa. Oh Triste amor, eu vi de perto os sinais vermelhos, tão quentes quanto os olhos do demônio. E os carros iam e vinham e eu não só podia sentir o calor dos motores, como também dos corações que os moviam. Oh triste amor, dê-me um pouco da vida que há em seu coração, porque a minha vida é fugidia como as sombras por detrás das luzes dos postes; como a brisa que massageia os teus cabelos. O teu ódio do mundo me contaminou, ou foi o meu olhar que congelou no ponto mais escuro da estrada? As palavras estão voando. Elas vazam através da minha pele, emudecendo as sensações. Caindo estou! Caindo sobre uma fossa cheia de lembranças suas. Me permeio com os seus pensamentos, com os seus anseios e sinto a mesma angústia que ricocheteou no teu ventre até que você não pudesse mais resistir. Oh triste amor, o meu corpo está se dobrando enquanto afunda na cama mais e mais. O que restará de mim no final?
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Berlin

Querida, adormeça sem medo. Feche os olhos e não pense na guerra. Sinta a brisa sem o cheiro de pólvora. Em seus sonhos, toque o trigo que nasce no campo. Tão amarelo como a cor dos seus cabelos e imaculado pelo sangue. Durma como nos primeiros dias, quando o ódio era tão pequeno quanto a passageira raiva dos teus pequenos filhos. Hoje você não ouvirá os canhões ou as metralhadoras rasgando o céu. Teus olhos tenros só despertarão com o canto das aves ou o brado do galo anunciando a aurora. Minhas mãos vão te acariciar e te resguardar do mal que invade bravio, como clarins de guerra, os nossos pensamentos. Durma calmamente, e pense nos teus dias de paz que ainda não chegaram.
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Boca de Cavidades

Quanto tempo falta?
Todas essas colchas de cama que sujamos enquanto o amor permeava os nossos corpos, e todas a juras que fiz enquanto consumia o seu corpo embebido em vinho, não eram mentira. Ouça o som da bateria, está tocando a nossa música. Eu vou fazer uma marca no seu corpo com esta bituca de cigarro, quero ouvir um gemido seco e silencioso. No meio destas garrafas e cinzeiros a gente pôde encontrar um certo tipo de amor paradoxo, encobrindo o meu corpo e o seu. Você poderia morrer agora e ainda sim eu só sentiria falta dos seus suspiros suados, pois o momento mais importante de sua vida foi este; o momento em que você quase se sufocou com o peso do meu corpo sobre o seu. Me diga, quanto tempo falta para que o amor vaze completamente através de nossos ossos e não reste mais nada?
(Thalyson Huxley)
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Berlin

Querida, adormeça sem medo. Feche os olhos e não pense na guerra. Sinta a brisa sem o cheiro de pólvora. Em seus sonhos, toque o trigo que nasce no campo. Tão amarelo como a cor dos seus cabelos e imaculado pelo sangue. Durma como nos primeiros dias, quando o ódio era tão pequeno quanto a passageira raiva dos teus pequenos filhos. Hoje você não ouvirá os canhões ou as metralhadoras rasgando o céu. Teus olhos tenros só despertarão com o canto das aves ou o brado do galo anunciando a aurora. Minhas mãos vão te acariciar e te resguardar do mal que invade bravio, como clarins de guerra, os nossos pensamentos. Durma calmamente, e pense nos teus dias de paz que ainda não chegaram.
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Berlin

Querida, adormeça sem medo. Feche os olhos e não pense na guerra. Sinta a brisa sem o cheiro de pólvora. Em seus sonhos, toque o trigo que nasce no campo. Tão amarelo como a cor dos seus cabelos e imaculado pelo sangue. Durma como nos primeiros dias, quando o ódio era tão pequeno quanto a passageira raiva dos teus pequenos filhos. Hoje você não ouvirá os canhões ou as metralhadoras rasgando o céu. Teus olhos tenros só despertarão com o canto das aves ou o brado do galo anunciando a aurora. Minhas mãos vão te acariciar e te resguardar do mal que invade bravio, como clarins de guerra, os nossos pensamentos. Durma calmamente, e pense nos teus dias de paz que ainda não chegaram.
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Beira mar

Eu andei pela beira mar. Atravessei, pelas faixas, todos os sinais vermelhos. Olhei a ponte iluminada e sobe as luzes observei as ondas subirem até o cais. Mas aqui não é tão longe de casa, e a tristeza veio depressa pegando um atalho pelo subsolo, saiu na Sé e desceu rolando pelas escadarias do beco, bem na hora do meu primeiro trago. Talvez não seja tão tarde, pois um homem triste me espreita em frente ao bar do porto. Talvez ele espere que eu dê um sorriso, ou que minha tristeza o sobressalte....
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Comentários (1)

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linx_10

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