ARTEIRO

                    Paulo Sérgio Rosseto

Colhi de um singelo canteiro de praça 
Aveludadas pétalas e esguias ramas 
Quem sabe também tão cheias de densa ansiedade 
Por deitarem-se suaves na palma da tua mão
Morar entre a graça serena dos teus dedos leves
Que acolhem por safira qualquer pedra não rara

E rosas brancas vermelhas amarelas
Agrupadas em buques em teu abraço calmo
E jasmins e hortênsias e orquídeas nobres
Margaridas e dengosas violetas de rua
Roubadas ligeiro da flora de agosto
Para fabricar alegrias e enfeitar as janelas
Desenhar teu corpo e os quintais da alma 
Que contemplam recobrem e perfumam teus braços

Sou esse serviçal catador de folhas
Rastelando entre sílabas secas e versos soltos
Atrás do tempo enquanto me resta a sede
De versejar a vida feita de escolhas verdes
E antes que finde o outono e desça o inverno
Continuo feito saúva carregando flores
Para dentro da completa íris dos teus desertos
Porque sei que isto acende teu riso e serena tuas horas
E te tornas jardim de aroma e cores
Brincando na relva carpida de corpo inteiro
Molhada de contentamento pelo miúdo orvalho
Que te ampara deseja viceja e atura

Porque em setembro terás tanta fartura
Que esquecerás de mim teu menino arteiro

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