abandono-me...
abandono-me ao torpor do tempo
dobrada ao peso da saudade
resignando-me ao meu nada
calada, nesta noite de negra obscuridade
o sono foge, os lamentos na
garganta se afogam,
nada a fazer e menos a dizer...
a noite está pesada
o chão da vida escorregadio
lá vou atravessando meu rio.
sem conciliar o sono
repito na memória, episódios
que recordam outros dias
entardecendo, onde as noites
eram menos sombrias
e os dias azuis e lavados
os sonhos trazia abrigados
nas manhãs de seiva fresca,
das laranjeiras a brotar de vida
e o rio em frente
cantando docemente.
abandono-me de novo até
que o céu se abra de azul
onde se reflicta o meu desejo
de viver...caminhar com vivo passo
e uma única condição,
a de deixar falar meu coração.
natalia nuno
rosafogo
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