LIVRO NUNCA FOLHEADO

No misto de poeira
Que repousa serena
Sobre a velha estante
Encostada, à parede pouco resistente
Da sala apertada de tão pequena
Para a mobília fora de moda
Há tanta bicharia
Como que numa boda
A degustar com insaciável folia
A liberdade da poesia
Nas folhas, em papel reciclado
Dum livro nunca folheado

Alberto Secama 04 de Agosto de 2015
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