Lista de Poemas
BOA INTENÇÃO
Ó Guimarães Costa!
Por que deste o seu assento
Para o Anacleto Ferreira?
O que fizestes, foi coisa que não presta
A passeio? É claro que não, depois do julgamento
Num calabouço em Benguela, Cosme Damião Pereira
Preso e torturado, a dez anos d'exílio
Foi condenado p'la " Revolta dos Alfaiates "
E no caminho, foi " Boa Intenção "
Talvez com ess'outro navio
Tenha cruzado, e sem rebates
Para o Rio de Janeiro, seguiu então
Ó capitão Guimarães!
Por que deste ao Anacleto
O comando da " Boa intenção?"
Ouve agora, o choro das Mães
Cujos filhos, como tralha, no porão repleto
À força, levastes para o mundo da escravidão!
Alberto Secama 03 de Setembro de 2018
Por que deste o seu assento
Para o Anacleto Ferreira?
O que fizestes, foi coisa que não presta
A passeio? É claro que não, depois do julgamento
Num calabouço em Benguela, Cosme Damião Pereira
Preso e torturado, a dez anos d'exílio
Foi condenado p'la " Revolta dos Alfaiates "
E no caminho, foi " Boa Intenção "
Talvez com ess'outro navio
Tenha cruzado, e sem rebates
Para o Rio de Janeiro, seguiu então
Ó capitão Guimarães!
Por que deste ao Anacleto
O comando da " Boa intenção?"
Ouve agora, o choro das Mães
Cujos filhos, como tralha, no porão repleto
À força, levastes para o mundo da escravidão!
Alberto Secama 03 de Setembro de 2018
252
CÃO MORTO
Em plena rodovia
Por que passa um belo Mercedes
Sem vida, jaz um cão vadio
Onde os vermes ao banquete, até arrepia
Saber que só vós não vedes
Que a moral já se degrada anos a fio
Alberto Secama 04-Set-18
Por que passa um belo Mercedes
Sem vida, jaz um cão vadio
Onde os vermes ao banquete, até arrepia
Saber que só vós não vedes
Que a moral já se degrada anos a fio
Alberto Secama 04-Set-18
237
O SOL LÁ FORA
O Sol lá fora
Brilha que brilha
Nas alturas do seu esplendor
Brilha que brilha
Das alturas qual favor!
O Sol lá fora
Brilha que brilha
Nas alturas do seu encanto
Brilha que brilha
Das alturas brilhando tanto
O Sol lá fora
Brilha que brilha
Sobre montes e vales
Brilha que brilha
Deitando suas réstias sobre todos os males
O Sol lá fora
Brilha que brilha
Sobre áfrika e o mundo
Brilha que brilha
Deitando suas réstias sobre mim vagabundo.
Alberto Secama 11 de Janeiro de 1998
Brilha que brilha
Nas alturas do seu esplendor
Brilha que brilha
Das alturas qual favor!
O Sol lá fora
Brilha que brilha
Nas alturas do seu encanto
Brilha que brilha
Das alturas brilhando tanto
O Sol lá fora
Brilha que brilha
Sobre montes e vales
Brilha que brilha
Deitando suas réstias sobre todos os males
O Sol lá fora
Brilha que brilha
Sobre áfrika e o mundo
Brilha que brilha
Deitando suas réstias sobre mim vagabundo.
Alberto Secama 11 de Janeiro de 1998
289
DIAFORESE
As pedras que foste colocar
Nos alicerces pálo mundo afora
Me fazem merecer o chão
Qu'eles m'impedem de pisar
Não fosse a cangalha em que se transformara
Meu mundo por meio da escravidão
" A Depressão " que aprendeste a cantar
À bordo de negreiras embarcações
Me faz entender a coisa diabólica
Que foram as travessias difíceis, em alto-mar
E o ardor do Sol, nas vastas plantações
Onde na terra, se meteram sementes d'África
O doce de nostalgia com amarga calda
É a labiríntica herança do dia
Que parecia nunca ter fim
Mas, depois de tirada a nojenta fralda
Vê-se agora, claramente, a diaforese da poesia
Que acaba de sair de dentro de mim
Alberto Secama 23 de Junho de 2018
Nos alicerces pálo mundo afora
Me fazem merecer o chão
Qu'eles m'impedem de pisar
Não fosse a cangalha em que se transformara
Meu mundo por meio da escravidão
" A Depressão " que aprendeste a cantar
À bordo de negreiras embarcações
Me faz entender a coisa diabólica
Que foram as travessias difíceis, em alto-mar
E o ardor do Sol, nas vastas plantações
Onde na terra, se meteram sementes d'África
O doce de nostalgia com amarga calda
É a labiríntica herança do dia
Que parecia nunca ter fim
Mas, depois de tirada a nojenta fralda
Vê-se agora, claramente, a diaforese da poesia
Que acaba de sair de dentro de mim
Alberto Secama 23 de Junho de 2018
274
ALBÍZZIA LEBBECK
Da família das leguminosas
Chamam-lhe Albízzia Lebbeck
DáÁfrica, sua terra natal
Levou-a Dom João VI , para o Brasil
Onde as suas cascas para curtume
Para indústria a sua madeira
E sua folhagem forrageira
São os seus donativos
De aspecto agradável
É a sua folhagem, com flores
Tão pouco visíveis; os frutos dáafro sabores
Que pelo número e dimensão
São vagens amarelas e delgadas
Porém, bastante alongadas
Como longa se tornou a lição
Do pernoite que durou
Quinhentos anos de escravidão
Alberto Secama 19 de Julho de 2015
Chamam-lhe Albízzia Lebbeck
DáÁfrica, sua terra natal
Levou-a Dom João VI , para o Brasil
Onde as suas cascas para curtume
Para indústria a sua madeira
E sua folhagem forrageira
São os seus donativos
De aspecto agradável
É a sua folhagem, com flores
Tão pouco visíveis; os frutos dáafro sabores
Que pelo número e dimensão
São vagens amarelas e delgadas
Porém, bastante alongadas
Como longa se tornou a lição
Do pernoite que durou
Quinhentos anos de escravidão
Alberto Secama 19 de Julho de 2015
249
KIMPA VITA
[ À memória de Kimpa Vita ]
Nas terras do Kongo dya Ntotila
Monte Kibango te viu nascer
Ó destemida filha de fala tranquila
Nganga Marinda do clã Mwana Kongo
No " Antonianismo ", tua crença deste a conhecer
Aos dogmas da fé católica, foste contrária
" Herege! " - a morte condenou-te o clero
Viva, no fogo que tanto ardia
Ainda assim, teu adeus foi sincero
Agora, profundo que é o sono
De louros coroada, na eterna glória
Descansa esquecida do imundo colono
Alberto Secama 13 de Setembro de 2015
Nas terras do Kongo dya Ntotila
Monte Kibango te viu nascer
Ó destemida filha de fala tranquila
Nganga Marinda do clã Mwana Kongo
No " Antonianismo ", tua crença deste a conhecer
Aos dogmas da fé católica, foste contrária
" Herege! " - a morte condenou-te o clero
Viva, no fogo que tanto ardia
Ainda assim, teu adeus foi sincero
Agora, profundo que é o sono
De louros coroada, na eterna glória
Descansa esquecida do imundo colono
Alberto Secama 13 de Setembro de 2015
284
BAQUAQUA EM CASA DO AMO PADEIRO
Em geral, nas ruas, Baquaqua vendia
Todíssima produção do pão que fazia
Mas, se por acaso, caísse o facturamento
A punição era " chicotes naquele momento "
Em casa do amo padeiro
Baquaqua, o escravo de tabuleiro
Com outros quatro, partilhava o inferno
De trabalhar o dia todo, até as nove da noite
Em casa daquele português católico
Qual desatenção ou sonolência
Eram desaconselhados p'lo comprido açoite
Na hora dos cultos, qu'eram dois por dia;
O sinal da cruz, que tinham de fazer
E palavras estranhas pronunciar
Tão rápido, Baquaqua s'esforçou a entender
E a língua de Camões, cedo aprendeu a falar
Mas, depois d'incontáveis surras
Não fosse o álcool, que passou a beber sem freio
Baquaqua, meu kamba de quantas amarguras
Considerado um "caso difícil", foi revendido
Para um capitão de navio
Alberto Secama 17-Ago-18
Todíssima produção do pão que fazia
Mas, se por acaso, caísse o facturamento
A punição era " chicotes naquele momento "
Em casa do amo padeiro
Baquaqua, o escravo de tabuleiro
Com outros quatro, partilhava o inferno
De trabalhar o dia todo, até as nove da noite
Em casa daquele português católico
Qual desatenção ou sonolência
Eram desaconselhados p'lo comprido açoite
Na hora dos cultos, qu'eram dois por dia;
O sinal da cruz, que tinham de fazer
E palavras estranhas pronunciar
Tão rápido, Baquaqua s'esforçou a entender
E a língua de Camões, cedo aprendeu a falar
Mas, depois d'incontáveis surras
Não fosse o álcool, que passou a beber sem freio
Baquaqua, meu kamba de quantas amarguras
Considerado um "caso difícil", foi revendido
Para um capitão de navio
Alberto Secama 17-Ago-18
319
MOTIM À BORDO
Dizem que eram cinquenta e três
Sob o comando bravo de Cinqué, o escol
Da tribo de Mende, qual varão serra leonês!
A muitas milhas para lá da costa de Cuba
Firme, estava o mastro do navio espanhol
Quando o capitão gritou: "Deus, por favor nos acuda!"
Com as amarras quebradas, o bravo da tribo de Mende
Com um macete, desferiu um golpe na barriga grande
Do pobre capitão, que ficou estendido ao chão
Onde jaziam falecidos, metade da sua tripulação
Dos restantes, rendeu-se também o navegador experiente
A quem Cinqué ordenou meia-volta, para África
Mas ele, de tão astuto, velejou para outro continente
Alberto Secama 03-Ago-18
Sob o comando bravo de Cinqué, o escol
Da tribo de Mende, qual varão serra leonês!
A muitas milhas para lá da costa de Cuba
Firme, estava o mastro do navio espanhol
Quando o capitão gritou: "Deus, por favor nos acuda!"
Com as amarras quebradas, o bravo da tribo de Mende
Com um macete, desferiu um golpe na barriga grande
Do pobre capitão, que ficou estendido ao chão
Onde jaziam falecidos, metade da sua tripulação
Dos restantes, rendeu-se também o navegador experiente
A quem Cinqué ordenou meia-volta, para África
Mas ele, de tão astuto, velejou para outro continente
Alberto Secama 03-Ago-18
309
EU, ZEMBOLA E CUGOANO EMBAIXO DO CONVÉS
[ Em homenagem à Zamba Zembola e Ottobah Cugoano ]
Embaixo do convés
Quem não cantou os choros
Enquanto a masmorra e o açoite
Escamaram do pescoço aos pés
Da negra pele quais desaforos
Quase matei aquele brutamontes
Não fosse tu, ó irmão Zembola
De pressa arrear meus braços
E tu também, ó irmão Cugoano
Sempre calmo, qual bússola
Naquele instante, qu'entre soluços
Apenas quis exprimir o dano
Em ser arrancado da minha terra: Angola
Alberto Secama 19-Jul-18
Embaixo do convés
Quem não cantou os choros
Enquanto a masmorra e o açoite
Escamaram do pescoço aos pés
Da negra pele quais desaforos
Quase matei aquele brutamontes
Não fosse tu, ó irmão Zembola
De pressa arrear meus braços
E tu também, ó irmão Cugoano
Sempre calmo, qual bússola
Naquele instante, qu'entre soluços
Apenas quis exprimir o dano
Em ser arrancado da minha terra: Angola
Alberto Secama 19-Jul-18
296
ZILLAH AO ENCONTRO DE ZAMBA
Em Charleston, era grande a saudade
Que Zamba, de Zillah sentia
E nas margens do rio Congo, dia após dia
Sentada, Zillah esperava vê-lo de volta
À noite, deitada, imensa era a falta
Que Zamba, seu amor, tanto lhe fazia
Por isso, uma coisa apenas dizia:
" Se d'América, o navio que chegar
Eu juro, hei de m'entregar "
Ao ver atracar " The Hunter "
Proveniente do estado da Carolina
Zillah, sem medo, em surdina
No porão foi se esconder
Por entre o vasto amontoado
Do lastro a base de ferro
Naquele porão bué fundo
Bastou num velho estrado
O prego saliente, e o cheiro a esturro
Para fazê-la suspirar "ah, que lugar imundo!"
Em Charleston, como ígneas chamas
Rápido s'espalhavam as notícias
D'embarcações prestes a chegar
E Zamba foi também, ver as almas
Todas negras de quantas agonias
Fatigadas da sempre difícil travessia
Do porão, à granel, a carga viva saía
Quando em alto sôo
Do fundo uma voz ele ouviu:
- " Zamba, meu amor! "
E num salto, qual vôo
O vendaval d'emoções qu'ele sentiu
Naquele abraço tão forte
Foi mesmo uma grande sorte
Alberto secama 21-Ago-18
Que Zamba, de Zillah sentia
E nas margens do rio Congo, dia após dia
Sentada, Zillah esperava vê-lo de volta
À noite, deitada, imensa era a falta
Que Zamba, seu amor, tanto lhe fazia
Por isso, uma coisa apenas dizia:
" Se d'América, o navio que chegar
Eu juro, hei de m'entregar "
Ao ver atracar " The Hunter "
Proveniente do estado da Carolina
Zillah, sem medo, em surdina
No porão foi se esconder
Por entre o vasto amontoado
Do lastro a base de ferro
Naquele porão bué fundo
Bastou num velho estrado
O prego saliente, e o cheiro a esturro
Para fazê-la suspirar "ah, que lugar imundo!"
Em Charleston, como ígneas chamas
Rápido s'espalhavam as notícias
D'embarcações prestes a chegar
E Zamba foi também, ver as almas
Todas negras de quantas agonias
Fatigadas da sempre difícil travessia
Do porão, à granel, a carga viva saía
Quando em alto sôo
Do fundo uma voz ele ouviu:
- " Zamba, meu amor! "
E num salto, qual vôo
O vendaval d'emoções qu'ele sentiu
Naquele abraço tão forte
Foi mesmo uma grande sorte
Alberto secama 21-Ago-18
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