Alberto Secama

Alberto Secama

n. 1978 AO AO

n. 1978-03-03, Angola

Perfil
6 593 Visualizações

CÃO MORTO

Em plena rodovia
Por que passa um belo Mercedes
Sem vida, jaz um cão vadio
Onde os vermes ao banquete, até arrepia
Saber que só vós não vedes
Que a moral já se degrada anos a fio


Alberto Secama 04-Set-18



Ler poema completo

Poemas

22

DIAFORESE

As pedras que foste colocar
Nos alicerces pálo mundo afora
Me fazem merecer o chão
Qu'eles m'impedem de pisar
Não fosse a cangalha em que se transformara
Meu mundo por meio da escravidão

" A Depressão " que aprendeste a cantar
À bordo de negreiras embarcações
Me faz entender a coisa diabólica
Que foram as travessias difíceis, em alto-mar
E o ardor do Sol, nas vastas plantações
Onde na terra, se meteram sementes d'África

O doce de nostalgia com amarga calda
É a labiríntica herança do dia
Que parecia nunca ter fim
Mas, depois de tirada a nojenta fralda
Vê-se agora, claramente, a diaforese da poesia
Que acaba de sair de dentro de mim

Alberto Secama 23 de Junho de 2018
287

O MAKONGO DE ZAMBA

Zillah, a esposa, ao vê-lo partir
Em pranto, desatou a lamentar:
" Zamba, por que tanto queres ir
Para tão longe passear?"

Um tal de Winton
Era capitão, e o convidara
A acompanhá-lo à Inglaterra, depois ao Congo
Tramado, numa palntação em Charleston
Quarenta anos, foi quanto lhe custara
O passeio que deu num grande makongo

Alberto Secama 28-Jul-18
302

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.