Alberto Secama

Alberto Secama

n. 1978 AO AO

n. 1978-03-03, Angola

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CÃO MORTO

Em plena rodovia
Por que passa um belo Mercedes
Sem vida, jaz um cão vadio
Onde os vermes ao banquete, até arrepia
Saber que só vós não vedes
Que a moral já se degrada anos a fio


Alberto Secama 04-Set-18



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Poemas

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O MAKONGO DE ZAMBA

Zillah, a esposa, ao vê-lo partir
Em pranto, desatou a lamentar:
" Zamba, por que tanto queres ir
Para tão longe passear?"

Um tal de Winton
Era capitão, e o convidara
A acompanhá-lo à Inglaterra, depois ao Congo
Tramado, numa palntação em Charleston
Quarenta anos, foi quanto lhe custara
O passeio que deu num grande makongo

Alberto Secama 28-Jul-18
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EM OLINDA, BAQUAQUA TORNOU-SE ESCRAVO DE TABULEIRO

[ Em homenagem a Mahommah Gardo Baquaqua ]

Trocados por rum, tabaco
E muitas outras mercadorias
À bordo, para o Brasil, em Pernambuco
Pára mim, Baquaqua chorou ao desabafar
Do que viveu em mil agonias
Enfiado no porão daquele navio:

- " Oh! A repugnância e sujeira daquele lugar
nunca serão apagados da minha memória "

Pela primeira vez, as laranjas que viu
Foi na costa, após o navio tumbeiro atracar
À escassos metros da majestosa residência
Cuj'ornamentação d'humanos crânios
A um Senhor d'imensos feudos pertencia

Marcados a ferro quente
Aí ficámos à venda
Até chegar de Olinda
Um comprador português, que era padeiro
E lá, a zungar pálas ruas, os pães que fazia
Baquaqua tornou-se escravo de tabuleiro

Alberto Secama 08-Agosto-18



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