Solidão com vista pro mar
Quando ela tirou os pés da areia
O que era sereno virou ressaca
O que era comunhão virou solidão
O que era convicção virou casaca
O mar, vasto, ficou estreito
O sol, extrovertido, desvaneceu
O céu, intrometido, ficou na dele
E o sonho, todo azul, adormeceu
Eu, que fumo, apaguei o meu cigarro
Eu, que bebo, dispensei um conhaque
E a água que molhava minhas canelas
Cancelava o meu embarque
O amor nunca coube numa janela sobre o mar
Nem em um trapiche ou bangalô
E eu não sei dançar tão devagar
Para acompanhar Oguntê, Ynaê e Marabô
A maresia me ofereceu sinestesias
Que nunca foram combinadas antes
Perdi-me entre contos, sambas e poesias
Entre Jorges Amados e amantes
Perdi-me no canto do recife
Nas vozes de um coral sem cor
Agudo como um barítono
Grave como um tenor
Meu peito formiga, ela nunca foi abelha
Sempre dei mel, erro meu
Ela é cigarra, é cigana
É obliqua, e o dissimulado sou eu
O que era sereno virou ressaca
O que era comunhão virou solidão
O que era convicção virou casaca
O mar, vasto, ficou estreito
O sol, extrovertido, desvaneceu
O céu, intrometido, ficou na dele
E o sonho, todo azul, adormeceu
Eu, que fumo, apaguei o meu cigarro
Eu, que bebo, dispensei um conhaque
E a água que molhava minhas canelas
Cancelava o meu embarque
O amor nunca coube numa janela sobre o mar
Nem em um trapiche ou bangalô
E eu não sei dançar tão devagar
Para acompanhar Oguntê, Ynaê e Marabô
A maresia me ofereceu sinestesias
Que nunca foram combinadas antes
Perdi-me entre contos, sambas e poesias
Entre Jorges Amados e amantes
Perdi-me no canto do recife
Nas vozes de um coral sem cor
Agudo como um barítono
Grave como um tenor
Meu peito formiga, ela nunca foi abelha
Sempre dei mel, erro meu
Ela é cigarra, é cigana
É obliqua, e o dissimulado sou eu
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
A Fortuna.
A fortuna não está nas mãos dos homens - está em seu entender da natureza do cantar - os lírios dos campos : em toda sua grandeza . Nas …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Próxima florada da Guaria Morada...
Memória amorosa
da nuvem branca
que abraça, como
voto de amor eterno,
o Vulcão Irazú.
Trago o meu universo
diante dos t…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Guerra dos ratos e das baratas.
Meus olhos estão se abrindo para um firmamento , onde nuvens bem escuras cobrem todas as estrelas , deixando que me observem os carros q…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Pot-Pourri de palavras
Num pot-pourri de palavras encorpo a legião de sussurros ali vagueando tão apaixonados Revelo onde amara a semântica de uma brisa resvala…
Frederico de Castro