já não há malmequeres...
já não há malmequeres no meu outono
nem nos meus sonhos há qualquer segredo
já me arrancaram até o sono
já o vazio me apanha e me faz medo
faz tanto tempo que dormia numa cama
de folhedo...
abandono-me na tarde e regresso ao aroma
que a saudade me traz dessa primavera
de sangue novo, saudosa de quando era
menina do povo...
já o vento do poente não me enche o peito
de ar
extraviou-se a memória, quebrou-se o olhar
ainda assim escrevo, escrevo exaustivamente
tenho tanto amor no peito que de mim não estou
ausente...
fiz barquinhos de papel, pu-los a navegar
como se a vida de par em par se abrisse
e os peixes de prata vinham as m' mãos beijar
hoje pra não sentir a solidão, apanho tílias e giestas
e os sonhos voltam a fazer-me festas...
acordo p'la manhã, e sinto-me botão por abrir
apesar de viver não seja perfeição
a natureza está sorridente, tenho de sorrir
é agora tempo que afaga, dá-me a tua mão
que a desesperança não se abata sobre nós
esqueçamos a longínqua margem do verão
e amemo-nos neste outono sereno que nos leva à foz.
natalia nuno
rosafogo
nem nos meus sonhos há qualquer segredo
já me arrancaram até o sono
já o vazio me apanha e me faz medo
faz tanto tempo que dormia numa cama
de folhedo...
abandono-me na tarde e regresso ao aroma
que a saudade me traz dessa primavera
de sangue novo, saudosa de quando era
menina do povo...
já o vento do poente não me enche o peito
de ar
extraviou-se a memória, quebrou-se o olhar
ainda assim escrevo, escrevo exaustivamente
tenho tanto amor no peito que de mim não estou
ausente...
fiz barquinhos de papel, pu-los a navegar
como se a vida de par em par se abrisse
e os peixes de prata vinham as m' mãos beijar
hoje pra não sentir a solidão, apanho tílias e giestas
e os sonhos voltam a fazer-me festas...
acordo p'la manhã, e sinto-me botão por abrir
apesar de viver não seja perfeição
a natureza está sorridente, tenho de sorrir
é agora tempo que afaga, dá-me a tua mão
que a desesperança não se abata sobre nós
esqueçamos a longínqua margem do verão
e amemo-nos neste outono sereno que nos leva à foz.
natalia nuno
rosafogo
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