Sofia
Vou ser um facínora infame,
Dizer-vos que virei escravo,
Do meu egoísmo covarde,
Que só age quando é tarde,
E nunca se torna bravo,
Se ao menos pudesse conseguir,
Enfrentar esta bolha impermeável,
Que me suga e asfixia,
Logo ao raiar do dia,
Não iria parecer um inimputável,
Mas eu bem tento escondido,
Acordar tamanha fera,
E palavra a palavra,
Lembro-me do tempo em que te amava,
Dentro da nossa reluzente esfera,
E quando te voltar a ver,
Na clara luz do dia,
Vamos recordar juntos,
No meio de mundos mudos,
Quem era a "minha" Sofia.
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