Escreverás poemas sobre mim,
quando passar por ti qualquer lembrança,
presente de um amor, quiçá, que avança
desde os começos, sempre rumo ao fim...

Acordarás feliz a cada dia
a perseguir o tempo – ele não para.
Evocarás a flor que te foi cara
e a ânsia de viver – que consumia.

Quando cair o sol, junto ao poente,
e aquela angústia súplice da tarde
mostrar-te, nas entranhas, quanto arde,

fingindo ser-te um fato indiferente,
com as imagens soltas das quimeras,
sonharás esse amor que não quiseras.

Nilza Azzi
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