AGARRAR O TEMPO
"...e os dias escorrem por entre os meus dedos e não os consigo agarrar... e as horas se esvaem em momentos de saudade e de desejos de presença... e os minutos contam quando se pensa no que queremos que seja e sentimos não poder ser... até que surge o momento em que o encontro se apraz nele mesmo e nos delicia com todos os segundos que o toque nos propicia... e os dias que escorrem pelos dedos deixam de existir e a paz volta a fazer-nos sorrir... e o ciclo continua numa luta de vontades e de saudades... as idas e as vindas e o abraço da chegada e o abraço da partida... ambos transmitem o mesmo mas com sentido diferente... ambos são enlaces mas um traz o sorriso e o outro leva a lágrima... até que nova vinda que nos anima surja após os dias que escorrem pelos meus dedos... e, nessa altura, desaparecem todos os medos e fica apenas a troca dos segredos que guardados foram nos momentos que escorreram pelos dedos... e esses breves dias que tão rápidos passam por nós, trazem-nos os sorrisos, os beijos, os abraços e sabemos que não estamos sós... temo-nos um ao outro, por tempo que sabemos ser pouco mas que vale pela ânsia daqueles que nos escorrem pelos dedos... e o beijo sela a doçura do tempo em que a dor perdura na esperança que depressa passe a amargura dos dias que nos escorrem pelos dedos e não os conseguimos segurar... sabemos apenas que, pelo menos, amar a cada segundo que passa é uma bênção que fica cá dentro e não foge como o tempo que gostaríamos de prender... mas a dor da ausência ajuda-nos a vencer..."
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