caturrar
lá vem a garça bicuda no bico de proa.
aprendi esgrima com a garça, minha parça,
perfurar nevoeiros.
a garça como Rimbaud não tem horror à lama,
a garça é plágio do urubu.
dela recebi o dom da espreita,
a visão binocular, o limpo voo, a curva do peixe.
lá vem a garça bicuda no bico de proa.
ensinou-me a penetrar os corações,
palavras agudas...
minhas palavras não ficam no vento.
tenho a escrita fina e a escrita grossa,
tinta clara e escura,
minha Bic dá bicadas agressivas e amorosas,
é pincel e é clavel.
lá vem a garça bicuda no bico de proa.
e na sala de aula, lendo meus versos,
dizia a professora: tenho pena de quem cair
no bico da sua caneta! você não é mau, não,
você é cruel.
lá vem no bico de proa a garça bicuda.
e o poema pouco anda
com essa ave pesada, o vento de proa,
a craca no casco, anáfora enjoa.
lá vem a garça bicuda descendo com a proa,
não teme, não voa, a sede de sal,
a vida desterra, quase sempre destoa,
quantas vezes descemos ao abismo,
quantas garças perdemos no bico de proa
e a proa se ergue às alturas perdidas.
no cais um som de agulheiro pneumático,
a garça na desgraça desgraçadamente
não consegue ser um grito.
o que me espeta é a garça que perdi...
aprendi esgrima com a garça, minha parça,
perfurar nevoeiros.
a garça como Rimbaud não tem horror à lama,
a garça é plágio do urubu.
dela recebi o dom da espreita,
a visão binocular, o limpo voo, a curva do peixe.
lá vem a garça bicuda no bico de proa.
ensinou-me a penetrar os corações,
palavras agudas...
minhas palavras não ficam no vento.
tenho a escrita fina e a escrita grossa,
tinta clara e escura,
minha Bic dá bicadas agressivas e amorosas,
é pincel e é clavel.
lá vem a garça bicuda no bico de proa.
e na sala de aula, lendo meus versos,
dizia a professora: tenho pena de quem cair
no bico da sua caneta! você não é mau, não,
você é cruel.
lá vem no bico de proa a garça bicuda.
e o poema pouco anda
com essa ave pesada, o vento de proa,
a craca no casco, anáfora enjoa.
lá vem a garça bicuda descendo com a proa,
não teme, não voa, a sede de sal,
a vida desterra, quase sempre destoa,
quantas vezes descemos ao abismo,
quantas garças perdemos no bico de proa
e a proa se ergue às alturas perdidas.
no cais um som de agulheiro pneumático,
a garça na desgraça desgraçadamente
não consegue ser um grito.
o que me espeta é a garça que perdi...
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Ave-Maria
Quando a tarde, anuncia o poente
E olhos descrentes esperam pra ver
A magia do dia e do sol a agonia,
Da luz que irradia, buscan…
A poesia de JRUnder
Doce loucura
Louca, louca estou! Já não cessam as lágrimas, essas que me tomam para si sem avisar. Basta apenas pensar naquele doce olhar.
O que me…
Naiany
Imensidão que há
Se pudesse eu, descrever a imensidão que há em que penso e sinto, ousaria assemelhar a como estar em uma pequeníssima ilha longínqua, cer…
Naiany
Amor sacrificial
Tens carregado tua cruz como um fardo, pois não sabes sofrer bem! Isso porque ainda não amas verdadeiramente com o Amor sacrificial, aque…
Naiany