outra linguagem
a garça
rouca que canta
não canta por cantar
canta quando se encolhe
canta quando se ergue
canta quando anda
movendo os pés sobre as águas
para atrair o leitor
canta o seu voo pesado
histórias de pedras antigas
seu grito de asas abertas
batendo em asas fechadas
as aves que não cantam
cantam de outro modo
a garça noutra linguagem
canta com sua plumagem
canta com a solidão
nas suas olheiras verdes
canta de modo agressivo
repare no peito do mar
rasgado todos os dias pelas quilhas
os bombeiros foram chamados
para buscar a garça numa casa,
cantava com a asa ferida
eu não sei porque me aproximo do mar
também tenho uma garça lesionada no poema
e os bombeiros nunca vêm
porque dizem que é trote
porque dizem é um poema
dizem com o tempo
a asa volta um pouco pro lugar
e cortam a ligação
e a garça rouca que canta
agora canta por cantar
rouca que canta
não canta por cantar
canta quando se encolhe
canta quando se ergue
canta quando anda
movendo os pés sobre as águas
para atrair o leitor
canta o seu voo pesado
histórias de pedras antigas
seu grito de asas abertas
batendo em asas fechadas
as aves que não cantam
cantam de outro modo
a garça noutra linguagem
canta com sua plumagem
canta com a solidão
nas suas olheiras verdes
canta de modo agressivo
repare no peito do mar
rasgado todos os dias pelas quilhas
os bombeiros foram chamados
para buscar a garça numa casa,
cantava com a asa ferida
eu não sei porque me aproximo do mar
também tenho uma garça lesionada no poema
e os bombeiros nunca vêm
porque dizem que é trote
porque dizem é um poema
dizem com o tempo
a asa volta um pouco pro lugar
e cortam a ligação
e a garça rouca que canta
agora canta por cantar
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