trovas soltas...

trovas...


chora o rio e chora a nora
e eu debruçada à janela
também m'ha alma chora
por não ser mais donzela

choram estrelas chora a lua
enrodilhadas em saudade
choram as pedras da rua
outro tempo...outra verdade!

chora o cravo na lapela
por andar a rosa ausente
quem tem um amor cautela
que às vezes subtil(mente)!

amareleceram as folhas
doce o outono há-de ser
doura a vida se me olhas
primavera se me vens ver

choram as flores no galho
lágrimas de aflição...
teus beijos meu agasalho
tua ausência maldição

chora o vento no arvoredo
enquanto a aurora agoniza
levo comigo um segredo
no sangue que em mim desliza

chora o sino lá no alto
está dobrando a finados
traz a aldeia em sobressalto
e os vivos amedrontados

alguma coisa está doente
trago minha alma estranha?!
choram meus olhos sómente
sobeja esta dor tamanha.

ai alma não digas nada,
e tu voz vê se adormeces,
assim de boca ... cerrada!
tu coração... vê se esqueces

natalia nuno
206 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.