ÁLIBIS [Manoel Serrão]
Mostraste-me a Verdade nas poças cavas do mundo.Escondeste-me a Mentira nas ameias acinzentadas dos muros.
Às vezes Verdade: sou um lugar pleno no Mundo sem rumo.
N’outras, Mentira: sou um lugar vago no Muro sem prumo.
Mas aqui ou ali, quando não estou onde penso que estou no Mundo;
E, não estou onde penso que não estou no Muro!
Ó no mesmo Mundo diviso pelo mesmo Muro?
Onde estou? Não estou onde todos os meus álibis imundos, recitam os versos de Baudelaire contra o[S] Muro[S].
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