NÃO HÁ PREÇO QUE PAGUE
Digamos que está tudo bem, que as coisas ainda vão melhorar, que a nossa felicidade vem, basta sabermos esperar, vivamos o cotidiano, tudo que é trivial, nada de excepcional, apenas o que é ordinário, sorriso no rosto, como se tivéssemos um exorbitante salário. Não nos desanimemos, sejamos otimistas, acreditemos não no que vemos, mas sim no que está oculto às vistas, não no que é palpável, e sim no que é intangível, creiamos no invisível. Há tempos e, tempos haverão que a fome abaterá o forte e o pão não será o suficiente, a carne não terá o seu sabor e a gordura não será a causa abundante. O fraco dirá sou forte e levantará e correrá e saltará feito bezerro no cevadouro, e alcançará um prêmio e não o trocará nem o venderá por grande carga de ouro. Os rios não mais irão em direção ao mar, os palácios estarão vazios sem ter quem os possa habitar, as máquinas, as memórias artificiais, a ciência, os sábios desta terra terão que se aniquilar. A vida perdida será a morte para quem a busca ganhar, mas pela perda se ganha a vida e há um preço que tesouro nenhum pode pagar.
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