NASCERARTE

Eu já pensei em parar de escrever.
Mas a arte é existir!
Já me esqueceu garatujar poemas, poesias,
contos, crônicas, poemetos e outras formas 
em linhas tortas e sinuosas
cheias de palavras vazias 
e submissas a sintaxes exclusas
que alimentam e nutrem apenas o ego dos ditadores de regras,
que pululam em ideias inconclusas e sentidos indecifráveis,
mas a minha impulsão descomedida
se rende a compulsão do fazer que me arrasta pelos meandros da arte.
Então, me vejo à volta de rimas ricas, pobres, toantes, preciosas,
raras, brancas e soltas que se vão engastando em versos e hemistíquios tontos,
bárbaros, rotos, broncos e sem métrica.
Porque a arte não se mede; 
a arte se vive .... Ou se revive?
Eis a lida de quem escreve: a angústia da busca constante da palavra certa que não se diz ou não se escreve; 
que nada expressa, mas que tudo fala; 
a palavra impronunciada, mas que salta audaciosa, vívida nua e atrevida na frente do artista 
e o convida, adúltera e prostitutamente, para fazer amor.
E desse amasiado nasce cândida e pura a arte

 

 

 

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