Único silêncio

Sentada no cadeirão do tempo uma hora
Sossega e apascenta aquele segundo tirano
Sempre escravizado, até vestir de branco
A briosa manhã chegando tão branda
Amarrotadas memórias subsistem ainda
Milagrosas, lambuzando os cílios à solidão
Que esporadicamente se acoita entre
Cada imutável segundo aclamado com emoção
De manhãzinha as nuvens arrotam um aguaceiro
Fino debruando cada gotícula de água com uma
Fé exorbitante, intrínseca e cada vez mais solicitante
Na calmaria dos meus silêncios vagueiam tantas
Maresias perfumadas e revigorantes deixando depois a
Jusante uma imensidão de beijos inteiramente reconfortantes
Frederico de Castro
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