Reconciliação com o silêncio

Reconciliação com o silêncio

2026

Falar dos silêncios, com os silêncios, despi-los da sua nudez, enfeitar as metástases do tempo e por fim reconciliar-me com as palavras e com os silêncios...

(In)constante silêncio


Neste (in)constante silêncio viaja uma imensa solidão generosa
Em epílogo escrevo minhas preces intensas e portentosas
O que me devora é esta carente e flamejante ilusão tão pegajosa

Neste (in)constante silêncio o dia embala ao som de cânticos ruidosos
Ali cai a meus pés o tempo repleto e prenhe de segundos rigorosos
Ali se ostentam todos os lamentos tão perplexamente impetuosos

Neste (in)constante silêncio cada eco choraminga e uiva tão melodioso
Assim de afogam duas lágrimas no lagar das palavras quase embriagadas
Em cada desassossego se consomem putrefatas horas esquecidas e inutilizadas

Frederico de Castro

@ Silêncio.com



Em @ silêncio.com escondi minha solidão estética
Até que dia desponte computando a caligrafia
Das minhas inspirações divagando tão cibernéticas

Informatizei a existência das palavras que
Digito no écran do tempo alimentando o domínio
Do silêncio que ilude a tristeza ainda sob escrutínio

Servidor da realidade virtual realojo-me no fórum
Dos eventos mais banais deixando em span cada
Mensagem vulnerável...textual

E assim migrei procurando outros servidores
Checando este e-mail em @ silencio.com
Protocolo da solidão escondida nos meus bastidores

Por fim formato o portal onde codifiquei a esperança
Usuária de tantas e tamanhas ilusões em tempo real
Pregão anexo ao perfil de um hacker desbloqueando
A chave do amor definitivamente tão viral

Frederico de Castro

A camuflagem do silêncio


A camuflagem do silêncio é esbelta, serena, pacífica e reverente
Forja da luz subtis fluorescências tão alucinantemente omnipresentes
E de olhos nesta solidão candente amara além o céu vibrante e transparente

A camuflagem do silêncio dilui-se no tempo e em cada hora prenhe e irreverente
Dormita no leito das palavras onde cada sonâmbulo sussurro se esvai, assim docilmente
Onde naufraga cada olhar perdido na imensuralidade das memórias tão convincentes

A camuflagem do silêncio aconchega-se entre duas lágrimas perplexas e plangentes
Percorrem a viela onde vagueiam todos os amanheceres tão mágicos, tão coniventes
Onde se lambuza uma cachoeira de carícias lenitivas e inebriantemente convergentes

Frederico de Castro

A dimensão do infinito



A dimensão do infinito não tem medida ou equivalência
Sua equipolência é tridimensional é absurda e extra sensorial
Matematicamente expande-se ao longo do universo colossal

Os céus em reverência ajoelham-se diante do poder transcendental
A luz com sua fluorescência magnifica, ignifica uma ilusão tão imperial
Em silêncio emergem brados e aplausos num eco quase visceral

Frederico de Castro

A mecânica dos silêncios



No furor

o ruído

o eco do software

O devaneio de um grito

reverberando no

castiçal dos silêncios

preenchendo a ressonância de

todo o meu hardwere

O frémito ruído

o desembaraçar do tempo

num sentimento cego

sem sossego, alvoraçado

soltando gemidos num

fluído de palavras esperneando

num putrificado dia desfasado

A mecânica dos silêncios

o verso bramindo na noite

calada

a sombra passageira onde

jaz a voz quieta

num rumor vagabundo

que agora até desinquieta

A caligrafia deslizando

no sepulcro do silêncio

O obcecado e astuto ruído

atrelado ao doce silvo

de um beijo deixado no

rodapé desta algazarra

onde se fez gritante o

sorriso ocluído

Resta o farfalhar

do Outono

O chorar mansinho das

horas e dos lamentos

extenuados

A madrugada se incrustando

entre estes versos sitiados

empurrando a maçaneta da

vida gemendo entreaberta

ao suave ninar dos silêncios

que quero somente perpetuar

Na prisão dos ventos uivantes

preencho cada hora minguando

no chinfrim de um sonho

martelando a noite numa arritmia

louca, festiva

engolindo uma gargalhada soando

límpida no tilintar da tempestade

batucando, vituperando nos disjuntores

da vida num curto-circuito

eléctrizando esta canção eclodindo emotiva

Frederico de Castro

A mímica dos silêncios



Qualquer singelo momento

Emana da grandeza de um gesto
Mais que palavras
Falar, expressar
Deixar-se comover na
Virtude ou na mimica
Do que assim manifesto

Nem contesto sequer
O gesto
A conversa no silêncio
Os sorrisos que empresto
Basta só
A delicadeza nesse jeito
De olhar que te não
É molesto

Partir depois
Assim discretamente
Num aceno final
Sem palavras
Proferindo tua imagem
Que guardo absolutamente

Ficou solitária a canção
Das minhas fadigas
Confundidas entre vozes
Que se debruçam na varanda
Do tempo vadiando pelos
Ritmos desta vida
Subitamente o amor
Num gesto conciliando

Valem mais que mil palavras
Um gesto que alimente
O perfil deste silêncio
Um verso
Um recado, um eco sem demora
O adeus tecido no áspero
Momento de uma hora em fuga
Com a conivência de uma
Gargalhada tão sedutora
Somente um gesto e tua lágrima enxuga

Frederico de Castro

A nudez das brisas


Desperta além uma brisa nua prenhe e fantástica
Acolchoada a manhã perfuma cada pétala de luz bombástica
Uma convulsiva e serena solidão alimenta esta ilusão tão elástica

No horizonte casto e paralelístico o silêncio desemboca num eco exímio
Uma carícia voluptuosa e fluidificante afoga-se neste verso sem itinerário
Translúcidas brisas perscrutam aquele desejo ígneo, flamejante e reacionário

Frederico de Castro

A sístole do silêncio



O porteiro da noite escancarou
o silêncio nascido na vagem
do tempo bravio
desventrando o dia que pousa
ao colo do teu semblante predador
qual beijo que desperta alucinante
e intimidador

Foi benigna tão farta excitação
quando destranquei a loucura
onde me embebedei de paixão
Converti milímetro a milímetro
este momento numa pílula
de felicidade colorindo a dor
que descalço momentaneamente
assim
tu envergues minha solidão
anexada, tranquila
entre dois gomos de poesia
desordenada em verberação

Viver com a meta
já ali neste destino equivocado
é aclamar à marcha do tempo
onde filtramos palavras
movediças carregando no ventre o
infinito poema transitando
nas avenidas do tempo
tão esquecediças

Andará bramindo
a existência latindo em nós
descontente
aconchegando-me ao espiral
de silêncios onde premedito
a vida batendo em sístoles
tão latentes
esvaziando o átrio deste coração
onde me enfarto com diástoles
tão persistentes

Vivo desta contemplação
quase eterna deixando fibrilhar todo
este agitado poema em constante
arritmia e apelação
alimentando o habitat da razão
onde nossas gargalhadas celebram
o milagre que acontece num coração
que festeja cada desejo ventrículado
na aorta dos meus silêncios
em constante desfribilação


Frederico de Castro

À sombra do silêncio



Meço a noite que se esconde numa hora
Vergada…tão desacertada, onde o tempo
Dilacera cada segundo sumptuoso fluindo
Pela espessura deste silêncio sempre impetuoso

Cerzidos na cambraia da noite acoitam-se entre
Nós pequenos gomos de luz agora reconciliada,
Qual diapasão para tantos ecos rugindo
E latindo com tamanha sofreguidão

Frederico de Castro

À tona do silêncio


Abortou a noite esta escuridão tão viril
Que senil e impugnada assim envelheceu
Enclausurada neste tempo que tanto prometeu

Mas as horas em silêncio ali imergem
Abjurando o léxico de palavras resignadas
Onde prenhes lágrimas fenecem cremadas

Na linha do horizonte à tona da maresia navega
A solidão, tão expurgada, tão mestastizada, finda
A qual, toda vida se regenera depois mais apaixonada

FC

Acolá dormita o sol



Põe-se o sol a jusante de uma noite
Que chega rotunda deixando cada muda
Lágrima despedir-se da luz que fenece profunda

Acolá sei que dormita o sol volátil e entristecido
Deixando como fiança todas as luminescências
De um dia prestes a perpetuar-se assim rejuvenescido

Sonolenta e muito constrangida a noite recupera
Sua lânguida e fantástica escuridão, enquanto nós limamos
Todas as arestas a este silêncio quase incandescido...em reclusão

Enquanto além dormita um sonho hospitaleiro, enveredo
Pelo matagal das minhas memórias mais sorrateiras
Filando com toda a hostilidade uma rima que invento tão bisbilhoteira

Quão fácil é arquitectar a magia saltitando entre oníricas palavras
Sempre prazenteiras navegando pela flotilha das paixões, onde sem
Estribeiras aquartelamos mil caricias muito, mas muito certeiras

Exijo a cada hora uma pausa no tempo, qual armistício para
Tantos dos meus desassossegos rotineiros, libertando de uma assentada
Muitos dos ecos e lamentos praguejando intempestivos e derradeiros

Frederico de Castro

Acto de silêncio



Calei-me

Deixei passar todos os ecos
perfilados na ausência
da tua voz
Revelei todo o silêncio aprumado
no dorso deste verso
me consumindo pela noite onde
me esgueiro quase inanimado

Frederico de Castro

Adornos do silêncio



Aglutinam-se em mim comovidos gomos de
Luz tão ávidos e fraternos que cicatrizam
O dia que nasce feroz, dissolvido em gratas
Esperanças, fidedignas...eternas

No seu espectáculo magistral adorna-se todo
O crepúsculo deliciando a sinuosa amanhã que
Reverbera com uníssonos beijos tão levianos e coesos

E foi ali que supus este silêncio que patinava na
Minha solidão quase astuciosa elevando místicas
Palavras trajadas de poesia subtil e ardilosa

Dormita assim toda inspiração que recrio nesta
Noite tão surpresa e cautelosa, antes mesmo que
A solidão trote em mim de forma tão caudalosa

Frederico de Castro

Além deste poente...



Além deste poente existe um silêncio
Oculto na maresia além a reverberar
São rotinas de cada onda por acalentar

Além deste poente expectante e indelével
Reinventa-se uma hora delicada a ornamentar
Tantas brisas frescas que a manhã quer ambientar

Além deste poente saúda-se com frenesim a luz
Do dia que se amordaça a cada sonho mais inextinguível
Onde se lavra uma palavra, um verso ou rima imprevisível

Além deste poente é só deixar a solidão divagar
Divagar ao sabor de tantas ondas desmioladas e intangíveis
O resto é o mar rangendo entre as bermas de um desejo impreterível

Frederico de Castro

Almost Blue - a Chet Baker




Quase azul
Reescrevo no pedestal dos céus
Toda a infinita
E insinuante harmonia
Onde pernoito e me apascento
Nos ritmos da tua
Irrecusável guarida


Frederico de Castro

Anarquia dos silêncios


Na anarquia dos silêncios sobrevive um eco quase asfixiado
Diacrítico o tempo modula a fonética de cada desejo enamorado
Sem til, acento, cedilhas ou tremas o dia reverbera quase tresloucado

Na anarquia dos silêncios cavalgam palavras e verbos tão fictícios
Adentram o bordel dos silêncios e sussurros vorazes e catalíticos
Renascem a jusante de todos os voláteis lamentos mais apocalípticos

Frederico de Castro

Anatomia da solidão





Tatuei no tempo
todas as marcas onde
desenhei um momento
seguinte
disperso no passado
circunstancial ao lugar
imergindo flagrante em todas
as marés onde ocorro
pra tuas lágrimas enxugar
Rebusquei nos austeros dias
um momento de inspiração
onde me refaço a cada alvorecer
promulgando cantos de liberdade
onde por fim me ausento e embebedo
até a saudade se calar
inteira
prostrada
Em actos condimentados
de poesia em celebração
sei que valeu a pena
quando invadi tuas
existências ancoradas
a estas latejantes palavras
assomando até ao altar
dos céus mais longínquos
enfeitando-nos o tempo
que nos separa contíguo
ao preciso momento onde nos
instigamos ao amor proliferando
assim tão exíguo
Pelos sulcos desta vida
feita de despedidas
acendo todas as lamparinas
da esperança que nas
veias reacende e guia
cada chama que restou em nós
cada eco aludido em vão
ou breve rumor acometido
e visionado no instante
que se apressa em celebração
Assim me abrigo nos teus
prantos
e depois mergulho em todos
os silêncios exactos
patrocinando a esta simples
página de vida
todo o desbravar dos teus horizontes
onde lavro a anatomia da solidão
Por fim até o céu se embeleza sublime

na expectativa mensageira dos ventos

onde mesclamos os tempos

ali vagando unânimes

alimentando a gratidão

e as sílabas em delícias subtilmente

ancoradas no calendário da nossa

exacta monotonia

vestida a rigôr

monitorando o tempo e cada espera

que desespera em sincronia

Frederico de Castro

Antes e depois do poente


Antes e depois do poente a escuridão engoda cada
Palavra adormecida ao colo de um ébrio eco estarrecido
Com arrepios e calafrios o tempo gesticula feliz e luzidio

Antes e depois do poente a noite apadrinhará um afago enaltecido
Fecundará num ápice a solidão prostrada à beira de um sonho apetecido
Plagiará e seduzirá todas as palavras renascendo num minusculo silêncio entristecido

Frederico de Castro

Ao sumir a noite...



Ao sumir a noite sei que nascerá mais além
Uma manhã viril e infindável deixando o sistema
Nervoso do silêncio a decompor-se num eco admirável

Albergo nesta ilusão farta de tanta adrenalina, uma
Abalroante fé que me guinda sempre para a quilha
Das emoções mais quânticas, emproadas e semânticas

Frederico de Castro

Software do silêncio



Costurei palavras subtis no naperon do tempo
Teci ao longo da esperança um pedacinho de
Silêncio luzindo na branda madrugada onde
Ainda guardo memórias escancaradas afagando
As lembranças que agora jorram desmascaradas

Cobre a noite um manto de solidão e a escuridão
Impregnada de ilusões ausenta-se momentânea
Algemada ao feticismo quase anímico abandonado na
Via pública até que a inspiração fictícia dos dias expectantes
Alimente o novo ciclo de olhares embriagantes

Só uma tristeza subiste barricada nas memórias
Do tempo onde a virose das saudades infecta
E agita o passado consumido e comercializado pelo
Software do silêncio sussurrando perturbador e monopolizado

Ouço ao longe o vento que sopra do ventre dos céus
Deixando cada palavra na estiagem da vida que passa súbtil
Sedenta e pesarosa mastigando todas as vogais deste verso
Tão doloroso ...timbre de uma saudade ostracizada e perniciosa

Frederico de Castro

Solitáriamente



Arrumei um gomo de luz que pendia
Desta ilusão madrugando pela calada do dia
Afagando todos os rumores da escuridão flectindo
Em cada expressiva e majorada hora em reclusão

Sempre solitário rondei depois a noite que me entrava
Janela adentro desmaiando entre as madressilvas que
Trepavam pelo nosso jardim perfumado de endoidecidos sorrisos
Tecidos e vincados com abraços estou certo, bem ressarcidos

Andei léguas pelos caminhos das solidões carenciadas e
Esquecidas deixando em desalinho aquele endócrino desejo
Mais audaz, urdido num inábil minuto que fenece depois
Enfurecido e tão voláctil

Vou partir daqui para o refúgio dos silêncios e de lá
Só sairei quando a esperança içada sob a bandeira da coragem
Ressuscite toda a inusitada oração que cochila numa intocável
Fé cilindrada com fervor quase inexplicável

Frederico de Castro

Sonâmbulo silêncio



À noite a escuridão tomba freneticamente gentia
Escorrega pelas sombras para não mais amnistiar
Aquele breu que além divaga, divaga tão escanifrado

Em seu sonambulismo furtuito cada hora alberga
Uma solidão sempre indignada e deixa sem pestanejar
Todo este silêncio que soçobra ante um eco tão desamparado

No meu imaginário incorporam-se memórias solidárias
Agitam-se palavras roçagando uma utopia imaginária
Constrói-se um poema feito de rimas absolutamente arbitrárias

E assim deixo a alma a meditar, recostada no divã de uma
Saudade que sei tão autoritária como quem pressente um
Afago demente…ou uma caricia omnipresente e totalitária

Frederico de Castro

Sopro no tempo



O silêncio descobre-se a si mesmo

pernoita em cada eco do tempo

inflamando a noite que arde de tremores

folheando as melancolias semeadas

nesta solidão alimentando os sonhos

numa citação de beijos tão mitigadores

As sombras da luz iludem até o dia fenecer

Curva-se perante a madrugada saltitando

em cada sopro de tempo galanteador que se

equilibra em extase num abraço fitando o breve sorriso

que deixaste no meu ego expectante e conspirador

Lá em cima sei como os céus apartam suas

nuvens para teu ser a mim se algemar

adocicando a pluviosa gota de chuva

irrompendo no silêncio palpitante

insensato, imaginativo...expectante

Deixo nos jardins o perfume que as rosas

de ti exalam

semeando a seiva de um sorriso quase bêbado

destilando toda a essência contida na ululante

demência de um audível eco desmascarando

um beijo congeminando incitante

Com o tempo deixei coagular a luz que desponta

nas veias deste silêncio

Alimento as artérias do amor devorando todas

as anemias aflorando o hematócrito desta vida

escorrendo entre as moléculas do tempo e aquele

exuberante sonho hemorrágico e proscrito

injectando no venoso dia itinerante o sopro de luz

que morre assim indómito e furtuito

Frederico de Castro

Suave calmaria



Garimpo nas memórias aquela pepita de
Silêncio brilhando tão magnífica …tão unívoca
Ilumina cada penumbra que desmaia na calmaria
E deliquescência de uma palavra tão inequívoca

Na tara do tempo peso cada emoção evocativa
Que me é tão cordial para que em cada estrofe
Descubra a essência de um verso tão filosofal, qual
Suave caricia que me alimenta assim de forma visceral

Frederico de Castro

Sublimação do silêncio

Volátil e tão gasoso o silêncio sublima a solidão
Em estado puro, primitivo e virtualmente lascivo
Despenteado o tempo perpendiculariza um segundo indutivo

Inconsolável e molestado cada lamento convulsa colérico e ofensivo
Ali se refazem e desenham tantos infecundos ecos herméticos e furtivos
Absurdo e quase patético o silêncio anela tantos empilhados uivos coletivos

Frederico de Castro

Subterfúgios do silêncio



Com seus subterfúgios cada eco apascenta um
Silêncio eterno, intenso e extraordinariamente denso
Assim se desmascara o tempo queixoso e ali suspenso

À mercê das palavras inacabadas a solidão venda
Seus olhos àquele breu tão prenhe e sempre exacerbado
Na escuridão regurgita-se um lamento sereno e aplacado

Frederico de Castro

Sudário dos silêncios



Adormece a noite aconchegada ao altar da solidão
Enquanto rendida viceja uma emoção tão submissa
No labirinto da vida amordaça-se a luz mais movediça

Envolta no sudário dos silêncios a escuridão mumificada
Esboroa-se qual lamento tristonho e intimidante, até deixar
Aquele breu transladado deglutir uma hora volátil e claudicante

Frederico de Castro

Suspiros serenos



Alimentando a galáxia do tempo
Semeio tantas constelações de alegria
Onde a poesia luz na paisagem agraciada
Pelas pétalas de solidão mais aliciada

E neste predestinado momento de ilusão
Flamejam em nós singulares memórias que a
Saudade gigantesca apadrinhou, deliciando a
Manhã insaciada que uma brisa feliz esquadrinhou

Reencontrámos no vento os perfumes que se
Engalfinham na alma inquieta e acanhada deixando nossas
Silhuetas diluídas num suspiro sereno...bem caprichado

Balouça a madrugada neste silêncio tão coalhado
Enquanto beberico uma chávena de solidão bem apetrechada
Ficando a noite prenhe de adornos luminescentes e esmerilhados

Frederico de Castro

Talvez me sobrem palavras



Talvez me sobrem das palavras
Uma inspiração quase indisciplinada
Assim jorre ali cada rima revoltada

Talvez da manhã renasça a vida apaixonada
Toda ela qual terramoto de alegria fascinada
Dando à luz a poesia melodiosamente rimada

Talvez nos silêncios flutue um eco feliz e resignado
Primeiro amanheça confinado a um desejo obstinado
E depois…depois, acalente cada verso devorante e danado

Talvez na escuridão da noite vislumbre uma oração a fecundar
Ao acordar inspire cada sonho frenético pronto a delapidar
Colorindo toda a vida repleta de caricias por deslindar

Frederico de Castro

Tanta gente...e solidão



No caos da escuridão esconde-se uma sombra
Desmesurável, passeando pela avenida, qual palavra
Errônea, incomensuravelmente olvidada e desguarnecida

O tempo esquecido e desacertado alinha-se a
Qualquer hora mal-amanhada impondo à mofenta
Solidão uma instintiva palavra bradando sedenta

Assim bailam no tempo tantos sinónimos de
Uma memória em reclusão, pois além
Caminha tanta gente…em solidão

Frederico de Castro

Tear dos meus silêncios



Resvala a tristeza estampada
Numa solidão quase esfarrapada
São vícios de tantas lágrimas esquecidas
Em plena luz do dia que fenece tão desolada

Corre apressada a noite até se acoitar entre as
Moitas e breus deste tempo senil e encabulado até que
Descortine uma faúlha de esperança adocicando a saudade
Esculpida no tear dos meus silêncios sempre conformados

Assim mergulha a memória em tantos fadados ecos
Consternados entretendo esta ilusão onde beberico uma
Enxurrada de gemidos submissos, escassos ais intensos e excelsos

Dispersa mas acalentada a madrugada suborna estas
Palavras intrusas em cada rima mais ardilosa deixando na paisagem
Laços indissociáveis de uma eternidade que almejo primorosa

Frederico de Castro

Templo dos silêncios


No templo dos silêncios escorre a escuridão assim docilmente
Na vagueza de uma brisa a solidão perscruta o tempo tão divergente
Lado a lado saltitam gargalhadas cúmplices explodindo furtivamente

No templo dos silêncios um montão de ecos retocam um cântico narcótico
Bebericam o amniótico desejo fecundado no útero de um afago quase caótico
E de tanto arfar adormecem no dorso altruístico de um meigo poente apoteótico

Frederico de Castro

Time out



No rebordo da maré flui uma hora dissimulada
Traja todos os meus lamentos e… quase mais nada
Humidifica-se a maresia que subtilmente escorrega
Pelo leito de cada onda que por ali divaga

O tempo parou a dois centésimos de segundo
Que feneceram demasiadamente solitários
Infestaram o silêncio tão macabro e enegrecido
Pousando amortecido por um eco quase enlouquecido

Frederico de Castro

Todo tempo...é tanto tempo!


Todo o tempo...é tanto tempo perpetuando
cada instante da nossa existência
Tanto tempo deixando despida
a indumentária furtiva da vida
pintalgando o tempo num strip tease
de desejos apetitivos, simétricos, intuitivos

Todo tempo...é tanto tempo conspirando
por entre sombras carentes escapulindo
renovando a biblioteca de tantos
abraços que deixei sorrindo na azáfama
do silêncio álacre que inventei quase,
quase de improviso

Frederico de Castro

Transumante solidão


Astuta e febril ali deambula a solidão gigante…tão inquietante
Na transumância da vida todas as horas expelem segundos alucinantes
Todas as palavras ruminam, ruminam e regurgitam sensações inconstantes

Por trás da imensidão de silêncios, o tempo escoa inadvertidamente acutilante
Promíscuo aplaca uma miríade de emoções ariscas, pujantes…quase sufocantes
São um ciclone de angústias nómadas, gravitando entre sílabas e rimas tão viciantes

Frederico de Castro

Trigonometrias no silêncio



Reergue-se a manhã perfumando
Intermináveis silêncios tão confidenciais
Súbita lágrima caindo incólume entre ledas
Sombras obturando a luz quase penitencial

À tangente a noite triangula a escuridão
Sempre astuta...em reclusão vestindo a nudez
Da solidão tão desemparada e resoluta
Desmaiando em cada hora,ferida,marginal,abrupta

Fiz a trigonometria dos silêncios mais absolutos
Obra prima para tão matemáticos beijos onde radiantes
Repousam os senos e co-senos de um cateto tão apaixonado

Em convergência o tempo deambula por todas as
Hipotenusas bem escalonadas qual agrimensura para tantos
Desejos topografados num viril abraço bem equacionado

Frederico de Castro

Túrgida manhã


Túrgida e velada a manhã medra ao sabor de uma prece harmoniosa
Sem arcabouço a luz comprime-se na convexidade de uma hora estilosa
De prosa se vestem todas as palavras resfolegando tão, tão vertiginosas

Submersa num mar de memórias artificiosas a saudade sucumbe dolorosa
Monstruosamente a solidão energiza cada lágrima carente e mais sequiosa
Toda a luminescência sublime além escoa eufórica devoradora e parcimoniosa

Frederico de Castro

Última maré



Na última maré enrolam-se ondas de preces mais recicláveis
Ali todos os abstratos silêncios nagevam subtilmente afáveis
Ali as palavras semeiam ígneas esperanças quase inesgotáveis

A solidão quando partiu deixou em prantos assíduas lágrimas
Decorando todos os corais deste mar imenso e reconciliável
Todo o rebuliço da vida marulha agora inefavelmente domesticável

Frederico de Castro

Um abrigo no silêncio


Encontrei um abrigo no silêncio e nele adormeci
Refastelado e abarrotado de emoções acidentais
Inacabado o tempo fenece e jaz ao redor de tantos
Segundos expressivos, rabugentos e bem camuflados

No silêncio da manhã o tempo entrelaça-se a esta
Memória carente, endemicamente carente e insaciável
Irreversível a solidão mutila qualquer palavra irrefutável
Resta o absoluto despojo de um sussurro imenso e inescrutável

Frederico de Castro

Um dia...depois do adeus



Eu sei, assim será decerto...um dia, depois do adeus,
O assombroso anoitecer que acontece distraindo até o supremo
Silêncio doloso, factual, porventura, inútil, viciante ... textual

Um dia...depois do adeus qual gota de orvalho desprendo-me
Das pétalas da solidão escorrendo licorosamente ladeira abaixo
Revitalizando este tempo enfeitado de desejos magníficos e irreverentes

O silêncio paralisado atiça a sonâmbula luz agora utente deste
Sonho indissolúvel dormitando no berçário da madrugada descrente
Onde pernoito contemplando o refinado e esbelto sorriso reincidente

E ficarei quieto nesse dia...depois do doesto adeus degustando todo inefável
Momento ciclónico que passa desvairado, subserviente alagando o mar
Dos teus prantos num maremoto de afectos omniscientes, convictos...repletos

Frederico de Castro

Um eco...num brado



Cai a tarde ardendo dentro
De mil sóis
O mesmo ato todas as manhãs
O dia quando se põe impregna
Os céus factuais com teus perfumes
Virtuais
Enfurecendo cada eco que
Brada pontual
Ouço ao longe o recuo do tempo
Sangrando no tépido e suave
Pestanejar dos ventos
O fôlego...num brado correndo
Embriagado se aconchega junto dos teus
Braços definitivamente acossado
No solar dos meus silêncios
Vejo a vida esvair-se pontual
Em desvarios
Fluindo na palestra de amor que
Alimenta o slogan das paixões em delírio
Desmaiando num mercenário
Sonho tão atrevido

Frederico de Castro

Um gomo de luar



Qual presságio subtil e supremo caindo sob
O peso de uma solidão tremenda o destino
Tomba além vergado neste silêncio tão sucinto

Avalio atentamente cada gomo de luar nascendo
Na noite quase sempre falsificada por uma
Luminescência triste, complacente…em debandada

Numa patuscada de silêncios enamorados a saudade
Deixa indecifráveis memórias pintando aquele
Quadro de emoções tão sensoriais…tão inexplicáveis

Frederico de Castro

Um pixel de silêncio



Condimento as memórias com um pixel
De silêncio harmónico e solitário
Foi importado daquele mágico momento
Digitalizado num verso livre...sem destinatário

Enquanto no dia assoma a luz peregrina mas
Tão prioritária, lá longe esconde-se uma ilusão
Quase tridimensional confinando ao monitor dos
Desejos um breve e adocicante prazer tão excepcional

Filtro do tempo linhas imaginárias, meço cada polegada
Da memória com um milhão de cores esplendidas embebedando
Aquele JPEG impresso na saudade proporcional e bem urdida

A cada hora que passa rastreio o bitmap deste silêncio
Quase aturdido reproduzindo na plotter da vida
A miniatura de cada imagem saindo bem scâneada e atrevida

Frederico de Castro

Um simples silêncio


Numa hora tão urgente surge este silêncio felino
Em desatino está o tempo repleto de ecos mofinos
Alcalinos são os lamentos suplicantes e malignos

Sinto na adrenalina das palavras um desejo fluir tão traquino
Sinto a manhã embriagar-se de silêncios másculos…quase clandestinos
Quero genuinamente vadiar numa autoestrada de afagos quase intestinos

Frederico de Castro

Único silêncio



Sentada no cadeirão do tempo uma hora
Sossega e apascenta aquele segundo tirano
Sempre escravizado, até vestir de branco
A briosa manhã chegando tão branda

Amarrotadas memórias subsistem ainda
Milagrosas, lambuzando os cílios à solidão
Que esporadicamente se acoita entre
Cada imutável segundo aclamado com emoção

De manhãzinha as nuvens arrotam um aguaceiro
Fino debruando cada gotícula de água com uma
Fé exorbitante, intrínseca e cada vez mais solicitante

Na calmaria dos meus silêncios vagueiam tantas
Maresias perfumadas e revigorantes deixando depois a
Jusante uma imensidão de beijos inteiramente reconfortantes

Frederico de Castro

Valsa dos silêncios



Sigo o latido dos


silêncios que correm

em debandada

Desperto no dia

insurgindo-me no valsar

de tantas gargalhadas que

teu sol irradia


Renova-se cada milagre

saltitando em sinfonias

doidas

sem rédias

silenciosamente selvagens

deambulando neste poema

ancorado em rebeldia


Descanso por fim

enfeitando a noite

estupefacta

tão solitária como a hora

que se despe no tempo

quase intacta

O perfume que o dia tece

em tuas pétalas trajadas

de primaveras

inunda de cor

as constelações docemente

iluminando todas as essências

viajando na minúcia deste poema

caiado de alegria

onde albergo a meiguice

ensurdecedora de um beijo

imergindo

delicadamente em ti

em soluços condimentados de euforia

que num instante breve

latindo

a todos embebeda e inebria

Frederico de Castro

Ver-te nos olhos de mim



E assim se multiplicou aquele visceral momento de ilusão
Adiando até a madrugada que absorta nos limites do tempo
Destronou a luz escapulindo por entre toda a balburdia de festejos
Debruados numa sôfrega rima despida de flamejantes e ígneos desejos

Depois acorda a manhã envolta numa magistral embriaguez
Abandonada num espesso silêncio matinal aromatizando o cerne da
Esperança onde escorre a seiva dos meus clamores passionais, qual
Oclusa saudade sulcando os céus talhando essas gargalhadas quase colossais

Ato aos meus desassossegos todos os gomos de uma emoção deixada
Nos escombros do tempo pintalgando as cordilheiras da ilusão com
Os mais nobres desejos que soletro nesta incógnita e abastada desilusão

Ver-te nos olhos de mim incute a cada sonho o sôfrego registo
De um beijo mais veemente resgatando os fragmentos de tantas solidões
Escapulindo deste abissal silêncio desenhado e esculpido...a três dimensões

Frederico de Castro

Vestígios da solidão



Em cada rabisco de silêncio desenho
Um lamento tão arbitrário, tão solitário
Ali sucumbe cada eco faminto, subtil e autoritário

Esta brisa audaz e tranquilizante ameniza
Todos os vestígios de solidão mais desguarnecida
Esfacelando cada hora fenecendo tão enfurecida

Ancoradas no leito do tempo vadiam emoções
Emudecidas por um aguaceiro de beijos enternecidos
Embebedam-se em gotas deste amor sempre apetecido

Nesta doce terapia de ilusões apaixonantes cada
Palavra decifra e gratifica todos os corações flamejantes
Resvala em silêncio num mar de lágrimas amiúde tão suplicantes

Frederico de Castro

Voar com o silêncio


Arrepiada e empolgante desperta a manhã tão despenteada
Na sua trincheira espreguiça-se a luz carente e profanada
Belisco a derme onde dormita aquela caricia feliz e replicada

Sinto voar nos silêncios uma hora tão impacientemente volátil
Nos cílios dos meus olhos amara uma lágrima prenhe e pulsátil
Inexorável o tempo crema cada palavra insólita, inusitada e versátil

Frederico de Castro

Vou conversar com o silêncio


Vou conversar com o silêncio e dizer-lhe quanto estimo o seu silêncio
Deixar que cada indisciplinado segundo além feneça sereno, senil e obstinado
Deixar indiferente um lamento que naufraga a jusante daquele breu acetinado

Vou conversar com o silêncio e aprontar-lhe o leito onde sucumbirá tão apaziguado
Deslizar por um sequioso sussurro desnudo, inquietantemente arisco e camuflado
Imobilizar o tempo que finda transladado por um sereno e tridimensional eco desatinado

Vou conversar com o silêncio e fletar-lhe a solidão chegando subtil, cortês e afável
Rastejar ao longo daquele vassalo desejo que pragueja no seio das palavras tão insaciáveis
Apascentar os gemidos incógnitos, desvendados pelas memórias absurdas e indubitáveis

Frederico de Castro
Reconciliação com o silêncio · Frederico de Castro · 2026
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