Abismo - bem
Saí para ver a Noite, mas ela estava morta
não quis acordar a Lua para não me ver chorar
mas ela gritou pois eu gritava
A Rua prende-me os pés. A Visão falha-me.
O Homem de pé, rindo.
O Homem de pé, rindo.
O Outro, chorando.
A mulher, empurrando-me para dentro.
A mulher, empurrando-me para dentro.
A Voz perdida.
Assim como minha ida.
Ida sem volta
Sem tempo, nem espaço.
Dentro da Escuridão, tudo é Silêncio
não vejo pois não reparo
Não reparo, porque me queixo.
Não reparo, porque me queixo.
No Inferno tudo é quente
E dentro de Mim, tudo morno.
Morro para viver.
E tudo torna-se melhor
A Noite vive, finalmente.
A Noite vive, finalmente.
A Lua não grita
Ela canta.
(Renata R. Nunes)
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