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Abismo - bem

Saí para ver a Noite, mas ela estava morta
não quis acordar a Lua para não me ver chorar
mas ela gritou pois eu gritava
A Rua prende-me os pés. A Visão falha-me.

O Homem de pé, rindo.
O Outro, chorando.
A mulher, empurrando-me para dentro.

A Voz perdida.
Assim como minha ida.
Ida sem volta
Sem tempo, nem espaço.

Dentro da Escuridão, tudo é Silêncio
não vejo pois não reparo
Não reparo, porque me queixo.
No Inferno tudo é quente

E dentro de Mim, tudo morno.
Morro para viver.
E tudo torna-se melhor
A Noite vive, finalmente.   
A Lua não grita

Ela canta.

(Renata R. Nunes) 
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Poemas

4

Entrelaço

As nuvens vestem a lua 
como a seda de uma noiva
Igual a ela, eu vago sozinha 
Respirando o mundo, 

Pouco a pouco, o mundo abraça-me, 
assim como o céu a abraça 

Ficamos menores, 
menores, 
menores, 

ao ponto de sermos visíveis apenas 
aos mais curiosos olhos.

É engraçado como tudo se move 

Dentro e fora de mim, 
dos olhos para fora, 
da barriga para dentro, 
na caixa de segredos que escondo desde a pré-infância.

(Renata R. Nunes) 
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Imortalidade

Por que não somos felizes de outra forma, exceto da forma que achamos correta,
Por que tenho de sorrir quando o que me dizes mareja meus olhos e me corta mais que uma adaga?
Mil questões vivas em minha cabeça, esperando serem respondidas,
Por não achar ninguém para respondê-las, morrem de curiosidade.
Sorrir para ti dói, mas não mata.
Dou um sorriso debochado, sarcástico. Aquele, que te feres.
E você, fere-me, não com palavras, mas com o punho.
Dói, como dói, mas continuo a sorrir. Não era isso que querias? Um sorriso. Aí está! Cortante.
A faca também, a que me corta em pedacinhos. Não se engane, porém, sorrir não mata, viverei para sempre.
E como vou sorrir! Gloriosa. Quando achares que estás louco, gritar tarde da noite, ligar para mamãe, por sentir uma mãozinha gélida te tocando, e uma risada dentro da alma.
Viverei feliz para sempre, meu bem!
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Toque de Recolher

Divago devagar pelo teu olhar,
não sei definir se é triste ou perdido,
talvez seja os dois,
triste e perdido, que seja!

-Relembro, guardo no coração,

Passo pela esquina da sua casa, avisto-a:
muro alto, portão verde.
Devo bater?
Já é toque de recolher

Os portões gemem de medo ao serem fechados,
até mesmos os botequins,
minha bota também geme,
bate, um, dois, três.

Meus punhos cerrados, quase bati.

Há uma movimentação estranha, silenciosa.
Melhor ir descendo.
E vou... voando...
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Abismo - bem

Saí para ver a Noite, mas ela estava morta
não quis acordar a Lua para não me ver chorar
mas ela gritou pois eu gritava
A Rua prende-me os pés. A Visão falha-me.

O Homem de pé, rindo.
O Outro, chorando.
A mulher, empurrando-me para dentro.

A Voz perdida.
Assim como minha ida.
Ida sem volta
Sem tempo, nem espaço.

Dentro da Escuridão, tudo é Silêncio
não vejo pois não reparo
Não reparo, porque me queixo.
No Inferno tudo é quente

E dentro de Mim, tudo morno.
Morro para viver.
E tudo torna-se melhor
A Noite vive, finalmente.   
A Lua não grita

Ela canta.

(Renata R. Nunes) 
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