Solvência
Solve-me inteira, no calor do teu desejo,
sol dos meus dias, força mágica, escaldante.
Enquanto espero no suspense deste instante,
perscruto além desse horizonte em que te vejo.
Enquanto a lua enluarada num lampejo,
morre de inveja por saber-te meu amante,
ao céu diurno vem, espia e segue adiante,
pois não consegue compreender o que eu festejo.
Como é que posso ser feliz se me desfaço,
se do meu ser sobram faíscas e estilhaços,
sou só um gasto de energia e me consumo?
Vivo feliz, porque a fusão torna evidentes
as diretrizes que norteiam o meu rumo;
só me diluo porque a alma assim consente.
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