EM COMBATE
Com voz sumida me brada
O que ouvir não consigo
Aproximando-me lhe digo
Sou eu, o teu camarada
Dai-me a arma carregada
Vai descansar um bocado
Sobre esse chão enregelado
Aonde a cama é tão fria
Enquanto eu fico de vigia
Ao parapeito encostado
Não tarda que vai rebentar
Sobre o abrigo um morteiro
Aonde o meu companheiro
Ainda agora foi descansar
Vai-se um combate travar
Sem a demora de um instante
Zune a bala sibilante
É horrenda a fuzilaria
Todo este fogo se arrelia
De uma trincheira distante
E o canhão não se cala
Com o horrível bombardear
Vou meu camarada buscar
Debaixo de chuva de bala
Enquanto a granada estala
E deixa o ar embaciado
Pego no pobre mutilado
Com muito jeito o levanto
E já morto o deixo a um canto
Que serve de posto avançado
França, 18 de Abril de 1918
(Retirado do Livro "Um Poeta Nas Trincheiras" de Sofia Rocha Silva)
O que ouvir não consigo
Aproximando-me lhe digo
Sou eu, o teu camarada
Dai-me a arma carregada
Vai descansar um bocado
Sobre esse chão enregelado
Aonde a cama é tão fria
Enquanto eu fico de vigia
Ao parapeito encostado
Não tarda que vai rebentar
Sobre o abrigo um morteiro
Aonde o meu companheiro
Ainda agora foi descansar
Vai-se um combate travar
Sem a demora de um instante
Zune a bala sibilante
É horrenda a fuzilaria
Todo este fogo se arrelia
De uma trincheira distante
E o canhão não se cala
Com o horrível bombardear
Vou meu camarada buscar
Debaixo de chuva de bala
Enquanto a granada estala
E deixa o ar embaciado
Pego no pobre mutilado
Com muito jeito o levanto
E já morto o deixo a um canto
Que serve de posto avançado
França, 18 de Abril de 1918
(Retirado do Livro "Um Poeta Nas Trincheiras" de Sofia Rocha Silva)
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