Se os olhos são o espelho da alma, os poemas são o ser a nú.
Ficará a saber mais de mim lendo-os do que em meia dúzia de linhas autobiográficas que aqui possa escrever.
Obras Publicadas: "Um Poeta nas Trincheiras"; " A Conspiração Das Criaturas".
Jamais largarei o desejo de pintar com intensidade
Mas escrever…
Não sei escrever poemas de amor
Tenho na verdade uma ambição maior
Espero saber amar aqueles a quem amo
Da forma que precisam de ser amados.
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COISA ESTRANHA
Coisa estranha esta de escrever poesia
Quando eu não me sinto poeta Coisa estranha escrever por entrelinhas Quando por norma sou mais directa
Sinto-me, mas não sei que sinto Escrevo, mas não sei bem qual o nervo Que se toca com as palavras em que toco
Não entendo esta biologia do ser Que não assenta nas coisas práticas Nas químicas básicas do corpo e das moléculas Não entendo esta necessidade De beber e suar palavras Este equilibrio desequilibrado Entre o receber e o doar Daquilo que nem sei que seja
Coisa estranha esta de escrever assim Quando não me sinto uma coisa concreta Delineada e definida, de formas e com formas Daquelas que se podem cravar na pedra
Tenho ângulos e vértices por todo o lado esbatidos Onde está a científica ciência Para medir e identificar a antítese desta forma de estar E não sendo científico o existencialismo da consciência Será que realmente existo?
Escrevo apenas porque a minha essência Seja ela o que for, gosta de o fazer Porque nisso e disso retira um certo prazer E recebe algum alívio, Para qualquer soçobro do ser Que forma de escrita esta que me sai convulsa Estarei doente Serei apenas e sem sabê-lo, uma dócil paciente? Padecente de sonhos distendidos Dilatados, inflamados, De coceira atiçados E meio perdidos, meio achados ?!
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DE VIAJE
Era una chica muy guapa
que por todo el mundo viajaba
y siempre donde se quedaba
en su pecho tal qual nido
nuevos comienzos se acomodaban.
Un dia llegando à Colombia
sus miedos se tranquilizarón
pues las gentes que encontró
en su nido se aterrizarón.
Miraba los cielos y las estrellas
Buscando a los que conocia
Pero también arriba de las nubes
Nuevos territórios se tecian
El aire era diferente.
Olía a nuevas aventuras.
Y de la hermosa y generosa tierra,
brotaban ofrendas aún por ella desconocidas.
“Té de Coca!” Le hablaron. “Tienes que probarlo.”
Y ella se sorprendió
pues de dónde venía
solo se conocían dos tipos de coca
la que es Cola y la que es Droga
Se rió de la cosa más tarde
Ya después de probar
La recordaba las hojas de laurel
Y la ayudó a energizar
Al sentirse bien decidió arriesgar
Pués que también le habian hablado
De unas hormigas culonas que tenía de probar
Se decian afrodisiacas
Y ella fué a descubrir ...
Tenian sabor de mantequilla de maní
con un toque de râncio, sí.
Pero nada de muy malo
Respiró hondo y cerró sus hojos
Los rayos del sol acariciaban su piel
Le recordando su família tan lejos
Ella queria darles a conocer estas cosas nuevas
Y así, para ellos,
Decidió hacer un video
Para que la pudieran ver y saber que estaba bien
Ellos lo vieron y concluyeron …
“Cariño tienes mismo que volver!
Porque te estás poniendo loca
Comiendo hormigas culonas y bebiendo Té de Coca!”
Dedicado à minha querida amiga Eunice
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Quando Falo Demais
Nem sempre Aquilo que tenho a dizer Carece de muitas palavras Para se fazer perceber
Às vezes é em lereia perdida Que a mensagem no excesso da arenga Quando me lembra Já está esquecida
274
MEDO DE DIA FUTURO
Quantas vezes imaginando um dia futuro Não amedrontei o meu dia presente Acreditando em promessas vãs de maus augúrios Coisas tristes e aflições, capazes de esmagar O mais salutar pulmão, esgotando o ar e a razão Mas sem nunca chegarem a ser Mais do que uma simples visão
Quantas vezes imaginando um dia futuro Ignorei todas as coisas que me amedrontaram no passado Sem que algumavez tivessem chegado A uma concretização É natural pensar nas coisas Mas o medo de castelos no ar Tolda o discernimento E impede a lógica de brilhar
É sempre bom lembrar que tudo passa E que até mesmo na desgraça O princípio mantém-se É que não raras vezes, mais do que a festa futura O grosso da emoção, se vive em sua antevisão
Respira fundo Fecha os olhos E lembra-te das soluções Que tantas vezes se manifestaram Onde não vias quaisquer opções
Respira fundo e repara Que como a água se evapora e o fogo se apaga Como a terra se movimenta e o vento esvoaça Um dia destes lá mais à frente Quando fores ver, vais perceber Que com o tempo, o que quer que chegue a ser De alguma forma, tudo passa
E se na pior das hipóteses Coisa ruim acontecer Permite-te então relativizar e procura ressignificar Pois a força de qualquer situação E o significado de um tormento Se ele chegar a acontecer Será a que lhe escolheres dar Pois todos temos esse poder!
296
OS MINIMEUS
Tanto se fala do gigante poeta, que nós os poetas da treta até esquecemos que não somos grandes...
Porque sonhamos tantos sonhos acordados, com frases inteiras que voam em mundos diferentes que habitam cá dentro da gente enquanto que o mundo lá fora se desenrola e devora tudo o que lhe dão a comer e o fazem engordando com as mesmas imagens de sempre...
Sentimo-nos sequiosos de palavras mágicas daquelas que viajam directas ao coração e do toque dos sonhos que se desenrolam enquanto a cabeça vai às nuvens mas o corpo nos segura aqui firmes no chão. Sentimo-nos tão pequeninos quando nos apercebemos que a imensidão daquilo que trazemos cá dentro nunca poderemos colocar no papel...
E notamos que a morte e a dor vendem mais que o amor e por isso até parece mal mostrar algo diferente...
Mas confesso que quando a cabeça se perde nas tais nuvens de que vos falei, ou quando segue em direcção à lua e num sitio ou no outro se demora e permite que aí sinta a minha alma, desnuda, aí me vejo grande! Me sinto grande! Enquanto incho, cresço, me agiganto e aventuro em universos diferentes, tal como o "(...) João Sem Medo" que com medo ou não, viveu aventuras surpreendentes...
Sou uma poetisa de pé descalço, não porque não tenha sapatos mas porque gosto de sentir os pés no chão e afinal não sou grande e com um metro e sessenta e quatro não chego à lua, mas já cheguei às nuvens e até já voei!
E também gosto de sair à rua cá em baixo e olhar para cima e ver que lá no alto há mais quem se arrisque a ir às nuvens, a ir à lua e voar também...
E ao ver o outro crescer e sonhar e viver e voar o seu voo diferente do meu pois é seu sinto-me bem, pois sei que nesta terra há gigantes e minimeus mas a versão desta história quem a escreve sou eu e o fim dela ainda não encontrei por isso não sei bem que papel é o meu ...
Quero experimentar um pouco mais antes de decidir olhar para trás para saber afinal qual foi o papel que andei a desempenhar e se a minha história para a história de alguém ficar, a razão é simples. Não é porque fui grande ou pequena...
É porque o meu valor quem mo deu fui eu!
Sofia Rocha Silva
222
SOLTO, SUBO, SOLTA
Solto pedaços de mim Em verso
Feitos pesos que por fim Liberto
Voo daqui para lá Sem onde
Leve leve subindo Sem volta
De asas abertas eu sigo! Já solta!
288
O MAIOR ERRO
O maior erro não é errar
É esquecer à força Virar o olhar
E assim...
Não vendo o novo caminho Voltar a tornar
50
TENHO A CERTEZA DE QUE DUVIDO
Eu não duvido que um Deus me acompanha Eu, que sei dos meus dolorosos momentos de atEia Eu não duvido da ciência que coloca hipóteses Somente daquela que advoga certezas E eu que nunca duvidei de mim Sempre tenho momentos em que não sei se é bem assim
Eu sempre soube algo mais Além do que os meus olhos vêm Mas mesmo eu - que os quero abertos olhando bem o mundo que me rodeia - Sei que às vezes é quando os fecho que melhor vejo E na escuridão vejo acender uma candeia
Eu sempre tive medo das grandes certezas que me toldam o discernimento Mas vivi certa de muitas coisas até essas convicções se esfumarem com o vento ... E eu que sempre busquei o conhecimento, Saber o que não sei Entender o que não entendo
Ainda assim Em paradoxo É esta ausência de algo Que leva à dúvida de tudo O permanente ruir e construir de mim Que me move e que me guia Feliz assim ... Em expedição Numa busca desconhecida Que me preenche enquanto me esvazia Todos os dias da minha vida
Sofia Rocha Silva
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A MINHA AMIGA ÁRVORE
Certo dia, estando eu muito angustiada Enfartada de coisas ruins Cá dentro acumuladas Fui ter com uma árvore amiga Sentei-me e encostei-lhe a cabeça à barriga E sabendo-a de confiança digna Abracei-a e confiei-lhe o que sentia
“Não contas a ninguém”? Perguntei confiando na resposta.
“Não”. Respondeu.
Então cá vai. “Estou triste”. Confessei eu. Em júbilo, abanou as folhas e os ramos. Senti que uma lágrima de seiva lhe escorregava e pelo tronco [abaixo lentamente avançava. “Por favor. Não fiques tu também triste” Pedi eu
“OH QUE MARAVILHA!!” Me respondeu
“Como assim que maravilha? Não me ouviste? Estou triste!”
“Sim, eu percebi. E fico muito feliz por ti”
Incrédula, pensei que a pobre enlouquecia Coitada, de estar ali parada Pelos humores do clima fustigada Noite e dia.
“Sabes, mil anos tenho eu E se há coisa que aprendi Sobre vocês humanos É que a vocês próprios não conhecem Tudo o que possam sentir Da dor ao prazer, Da raiva à tristeza Da alegria ao êxtase É para poderem avançar
Cada forma de sentir É um indicador dos caminhos Que farão bem em seguir Na maior parte dos casos É quando sentem desamparo, revolta E que não vão a nenhum lado É quando a coisa fica intensa E andam tristes e angustiados É quando se questionam
Falam a nós árvores, aos céus A todos os que creem seus aliados Buscando auxílio Para a mudança que adivinham E nós cá estamos prontos a ajudar Na natureza se poderão sempre refugiar
Assim todos nos procurassem E das vossas dúvidas se distanciassem Parando e calando, ruídos de fundo Que vos vão baralhando Sem a pretensão Da perfeição no vosso modo de estar E que da profunda tristeza soubessem O melhor de vocês resgatar
Ela é campaínha de alerta Sempre que algo vai mal no coração Assim como a física dor vos avisa Quando algo precisa de atenção.”
Abracei a árvore e agradeci Levantei-me e pela primeira vez senti O propósito desta minha tristeza Mas, malograda dúvida Antes de partir perguntei
“E será que vou conseguir? Que sabe uma árvore do sentir? Destes que nos fazem desesperar?”
E disse-me ela - “Minha querida amiga… Se duvidas, que tens a perder em tentar?”
Ouvi o alerta e decidida A aceitar a sabedoria da minha amiga Chorei o que havia a chorar até me cansar Soltando o que havia para soltar Aceitei que não sentia a força Que estava tudo bem em dobrar Sob o peso do que me estava a assombrar Abrindo espaço a que outro sentimento
Vontade de Auto-Conhecimento Viesse meu coração ocupar
Octaviano, que bom que gostou! Para além das descobertas que vamos fazendo sobre nós próprios, não há nada melhor que sentirmos que inspiramos alguém. Obrigada. Cumprimentos.
Octaviano Joba
Inspiradora...
Octaviano Joba
visitei a sua p[agina e gostei do que li....saudações...
visitei a sua p[agina e gostei do que li....saudações...
Muito obrigada João! Já está a caminho :) Programado para o final do mês de Julho. Nessa altura actualizarei no perfil.
Parabéns, gosto da sua escrita, seria agradável ve-la impressa num livro.
José, Muito Obrigada! Fico feliz que goste :)
LIndos poemas!