Sofiarocha

Sofiarocha

n. 1980 PT PT

Se os olhos são o espelho da alma, os poemas são o ser a nú. Ficará a saber mais de mim lendo-os do que em meia dúzia de linhas autobiográficas que aqui possa escrever. Obras Publicadas: "Um Poeta nas Trincheiras"; " A Conspiração Das Criaturas".

n. 1980-07-28, Lisboa

Perfil
7 732 Visualizações

Mais ou menos poema de amor

Não sei escrever poemas de amor

 
Ainda que tenha a quem ame de verdade

E não é porque nunca tenha amado

Não é porque não saiba o que é a dor

De perder ou de sair magoado

Não é porque não conheça o vórtice

O buraco negro, a tempestade

Que no peito se agita

Na pele se eletriza

E por todo o corpo se grita

Enquanto todas as lógicas

São amordaçadas por uma vontade


Conheço a magia, a fantasia,

A alegria, a realidade

Experimentei toda uma palete de tons de amor

E ainda que não me sinta pintora

Jamais largarei o desejo de pintar com intensidade

 

Mas escrever…

Não sei escrever poemas de amor

 
Tenho na verdade uma ambição maior

Espero saber amar aqueles a quem amo

Da forma que precisam de ser amados.
Ler poema completo

Poemas

25

Perfeito Ocasional

Uma noite por este dias
Eu sonhei que era perfeita
Em casa rotina Suíça
Desde o levante até à deita

E meu corpo nunca cansava
Nem minha mente se equivocava
Meus dois filhos eu educava
Com preceitos bem precisos
De acordo com as teorias aceites
Nas escolas e nos Juízos

Nunca falhava a refeição
E tinha a casa sempre num brinco
No trabalho nem um erro
Zero Dúvidas e Mil Sorrisos

Com o companheiro só amor
E nenhuma zaragata
E se comigo cruzasse qualquer estupor
Logo me sentiria grata

Que sorte saber perdoar
Qualquer falta do inergume
E assim quando lavava a alma
Nunca saía nenhum negrume

Também nunca sentia raiva
Ou frémito incómodo nas entranhas
Eu entendia toda a gente
Os bons, os maus e os patranhas

Claro que todos gostavam de mim
Que andava sempre contente
Agradava a Gregos e Troianos
A todo o mundo a toda a gente
 
Acordei cansada e toda suada
Quando me senti perceber
Que perfeita não sou afinal
Mas também não quero ser

Posso acordar mal humorada
Até ao ponto de assustar
Posso atrasar de manhã
Quando quero ir trabalhar

Já se meus filhos cometerem falta
Não sou muito de ralhar
Sou do género paciente
E explico o que tiver de explicar
E verdade até agora
Não deixou de funcionar

E se meu amor me zangar
É certo vou-lhe à jugular
Mas também sou mulher
Para com grande marotice
A seguir ao fazer pazes
Me deixar ir até aonde a fantasia nos levar

Também não gosto de toda a gente
E até posso perdoar
Só não esqueço as faltas sofridas
A fim de que a falta não volte a tornar

Também lamento a quem eu própria falhei
Afinal sou, humana a tempo inteiro
Pelo menos isso eu sei
Perfeita sonhei que era
Mas acho que sou afinal
Perfeita neste jeito de ser
De perfeição ocasional.

Sofia Rocha Silva
317

A Conspiração Das Criaturas

Que se aquietem os corações aflitos
E domem os pensamentos selvagens
Apresente-se a esperança ao serviço
Dos espíritos que ao Todo comprazem
E que o sonho traga a vontade
de quem já na verdade
Por dores, ilusões e enguiços
Às verdades do céu e da terra
E às sua próprias que por medo nega
Não acredita e nada lhe medra
Que o Céu e a Terra 
Que a Água, o Ar e o Fogo
E todas as criaturas de vida
Se unam conspirando na união que já é
E lhe mostrem quem pode ser 
Se assim o quiser


Sofia Rocha Silva
Dedicado a todo aqueles que ousam sonhar
284

Agarra a Sombra e Dança Com Ela

Como é bom sentir
As sensações de quem sente
E não o vazio de coisa já morta
Ou porventura ainda dormente
Como é bom despir uma armadura
E deixar fluir o que tiver de vir
Mesmo que venha dor, crua e dura
Como é bom agarrar a coragem 
Própria de quem olha para a sua fragilidade
Com gana, despudor e vontade 
Pois não é fácil evoluir, crescer e expandir 
Ao invés de esconder, enterrar e fugir
Fingindo força quando nem um dedo
Se consegue levantar para mudar
Como é bom o superlativo de estar vivo
De criatura que agarra a sombra pela cintura
E com ela dança um sentido Tango
O Tango da Rua da Amargura
Como é bom aprender, sentir o pulsar, sentir a dança
Superando a velha crença tansa
De que ignorar negrume é segurança
Convidemos pois as obscuras partes
Que a cada um de nós pertencem
Para o baile Primaveril em distintas presenças compósito
De aceitação e renascimento
Dando ao nosso negro mais puro
Um novo e mais venerável propósito

Sofia Rocha Silva
 
257

A Minha Lua

Assim te cobres fria e dura
Com um manto de significados
Revestidos de natureza obscura
Lua minha aquariana
Que à nascença me fadaste,
E que escrevendo com os astros
Muito cedo me falaste
Daquilo que veio e do que ficou
E dos traços que moldam
Minha sombra pura e nua
Sentimentos, sensações
E vincadas intuições
Que nos mais negros momentos
Se revelam trazendo a luz
Assim eu a deixe passar
E não a tente barrar
Com a razão das lógicas
Que não cessam de me falhar

Sofia Rocha Silva

263

O Vazio...Do Frigorífico.

Ai de ti que te apressas
No tempo meu que corre lento
Muita fome me revelas
Quando eu com menos me sustento
E se tua angústia soltas livre
Enquanto imploras meu amparo
É certo que te torturo
Por dentro sorrindo, coração já duro
Enquanto um belo bife
Em minha mente eu preparo
Tendo por vazio meu frigorífico
Repleto apenas de significado

Sofia Rocha Silva
298

Comentários (10)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
devoto

Oi Sofia, grande sensibilidade nos teus poemas. Parabéns

sofiarocha

Muito Obrigada Wilson :) É sempre bom ter feedback.

CORASSIS

Olá Sofia Gosto muto do seus versos Parabéns

sofiarocha

Octaviano, que bom que gostou! Para além das descobertas que vamos fazendo sobre nós próprios, não há nada melhor que sentirmos que inspiramos alguém. Obrigada. Cumprimentos.

Octaviano Joba
Octaviano Joba

Inspiradora...