O tigre
Dorme, sob essa pele espessa e quente,
e sonha devagar, sonha sem pressa,
fera que só conhece, do presente,
esta calma aparente e apenas essa.
No interior da pupila, em cada lente,
rememora a savana e assim regressa
à paz mais essencial, enquanto sente
o mundo que evolui dessa promessa.
Na perfeição que a natureza pinta,
carrega, das espécies, tão distinta,
a marca que lhe coube por herança,
cada detalhe em preto sobre o branco...
Visão tão surreal, chega a ser franco,
o brilho desse olhar que o tigre lança.
Nilza Azzi
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