Lapso
Quando seu coração cansou do sobressalto
e a voz da sua mente ousou falar mais alto,
o Amor sentiu a dor infame da ousadia:
murchou de uma só vez, os sonhos que floria.
Cupido recolheu as flechas, pois tomara,
quisera para si a pétala mais cara,
da rosa ainda fresca, incólume perfume.
– Depois quedou no ninho, a pobre ave implume!
Passou um tempo assim, nas asas da crisálida,
mas, da transformação, cingiu a forma válida,
no afã de reviver a intrépida aventura;
a vida sem amor é triste, vaga, escura...
– Desperta, ó bel Cupido e atira as tuas setas,
destina a criatura às núpcias seletas.
Nilza Azzi
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