Baliza
Hoje eu chorei a dor da minha vida,
que dói tão fundo e nunca se amortiza;
lavei a alma e a pendurei, torcida,
onde não bate sol, nem sopra a brisa.
E quando escorre informe e diluída,
na solidão dos ermos, nem me avisa
que vai fazer sangrar esta ferida
e me deixar num canto, sem baliza.
Mas entre a alma e a dor existe um pacto
de não sofrer além de um tempo exacto,
porque doer a vida sempre dói...
Depois do choro, sempre estou mais leve
e, já que a vida é curta, é muito breve,
não vou fazer do pranto o meu herói.
Nilza Azzi
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