Devaneio
Eu e você, nós dois, sob o chuveiro,
e a lembrança das horas que passamos:
como bambus ao vento nossos ramos,
a balançar na chuva o dia inteiro.
Se me deste prazer, se nos amamos,
como se fosse em nós amor primeiro,
guardo comigo o doce do teu cheiro;
a viva sensação dos teus reclamos.
Depois, foi dos teus braços o conforto,
o teu jeito de rir, meu chapéu torto,
ao café da manhã, pãezinhos quentes,
essa delícia inquieta da ventura,
o corpo em alvoroço que procura,
nos mesmos velhos ritos, novas lentes.
Nilza Azzi
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