Dores de amor
Por medo desse amor, senti-me ao desamparo
e duvidei de mim, das bênçãos e das graças.
Olhei ao meu redor; com mostras tão esparsas,
soprei ao coração: – O amor nunca foi claro!
Nos tempos de paixão, há pares pelas praças
e, em noites de luar, em meio ao brilho raro,
insetos a voar, aos sonhos meus, comparo:
– Anseiam pela luz que, as asas, despedaça...
Existem mais confins, nos campos, vastos, ermos,
do espaço de aflição de quem se fez cativo,
do que na solidão do leito dos enfermos.
Quem ama sabe disso: – o amor, fogo abrasivo,
anula a nossa força; impõe os próprios termos
e traz, sem livre escolha, a dor sem lenitivo.
Nilza Azzi
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