Espelho
Se a dor é o mal que encrua na garganta
e a vida, mais que em beco sem saída,
nos deixa em meio à angústia desmedida
que fere o coração e o desencanta...
E se um espelho escuta o que é confesso
e manda longe os males, e os espanta,
além do tempo vago do regresso,
remói a lucidez, quem sabe quanta
será, de tal palavra, a força vã.
Se a voz procura a terra prometida,
não tem entanto a crença no amanhã,
pois tudo o vento leva nessa lida.
E o sol que tinge as nuvens do poente,
espelha a morte, a tudo indiferente.
Nilza Azzi
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