As portadas da minha janela

Num silêncio atravancado range a
Couceira solitária, transformando cada
Gomo de luz numa emoção autoritária
Entre as portadas do tempo escondem-se
Emoções quase hereditárias, deixando uma
Carcomida ilusão a crepitar tão sedentária
O dia veste sua indumentária sublime e lustrosa
Escancara-se gentil e totalitário, até pousar quase
Embriagado num eco que além dormita tão prioritário
Escorregando pelo corrimão da saudade suicidam-se
Tantos lamentos arbitrários, deixando a memória algemada
Às aldrabas de um franzino silêncio tão excedentário
Frederico de Castro
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