Luzes vacilantes
Estava o Sol atrás das nuvens escondido,
enquanto a noite além dos montes ia embora...
Iria o dia enfim surgir a qualquer hora,
trazendo a luz e o afã das aves – o alarido!
Estava a Lua, após a noite, mais senhora
dos céus azuis, porque de mim só tem ouvido
o suspirar que vem de um sonho colorido,
em que reverberou a tua voz sonora.
O espaço que mantém a Lua e o Sol distantes
– o mesmo em que a voar, a mente te procura –
conserva-me à mercê do que não sonhei antes...
E sobra então o dom, amada criatura,
de conhecer tão bem as luzes vacilantes,
as variações gentis – do amor, a voz mais pura.
Nilza Azzi
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