A espera
“Esperando parada, pregada, na pedra do porto...”
(Chico Buarque)
Não era pedra, nem porto, e sim um portão,
onde eu a via, ao fim da tarde, às quatro e meia!
Se o coração de quem espera muito anseia,
dizem que ao dela coube amar a solidão.
Mas se o desejo traz no bojo um sonho vão,
ali parada tinha um ar que já permeia
quem alegria só conhece em face alheia
e tem no mundo a mais tristonha condição.
A luz dançante ao longe esquálida esmaece:
– Se em desespero eterno envia aos céus a prece,
é seu segredo e, assim, jamais eu saberia.
Guardo, porém, comigo a imagem vespertina:
– Será que a noite encobre as dores desse dia,
enquanto as moiras vão votar-lhe a mesma sina?
Nilza Azzi
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