Catarse
Por que me dói o coração, em dor tão forte,
e por que bate em descompasso, à tua voz,
cada vez mais, sem encontrar o que o conforte,
e dói, e dói, dói sem cessar, e dói após
saber que tudo que lhe resta é dor ainda?
Por que me dói o coração, sofre esse corte,
e dói bem mais, sendo essa ausência dor infinda,
e mesmo assim, esse doer pouco lhe importe?
Ora, ele dói por esse amor, tão renitente,
ora, também, por esse amor, pleno e completo.
Dói-me, porque bendiz a festa do presente
e ainda dói por ser rebelde e inquieto...
E nessa dor, sofre de um modo diferente,
em regozijo por amar-te, ó meu dileto.
Nilza Azzi
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