Reflexos
Dos cantos onde esteve emaranhado,
meu verso se livrou. Isso é passado.
Um pessegueiro solta as flores róseas!
Por entre os galhos, ora abertos, cose-as,
atônita, a formosa borboleta...
Enquanto um tico-tico faz pirueta,
a cada vez que soa um canto triste,
mais luz banha o pomar e o som consiste
nos restos que sobraram, nos ruídos
dos ecos dos lamentos não retidos.
O certo é que me vejo nesse espelho,
com ares de feliz, não me assemelho
a um brilho de cristal. Rastro hialino,
ao longe, sou um vulto pequenino.
Nilza Azzi
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