É um poema!
Nasceu sorrindo e nem lhe dei um tapa!
Logo ele quis engatinhar sem mim...
Se não me cuido, lá vai ele, escapa,
mas, se me deixa cedo, isso é meu fim.
Recém-nascido, gosto de mimá-lo,
em mil cuidados, sempre me desvelo
porque depois que parte, num estalo,
entre nós dois, se rompe qualquer elo.
É meu poema, meu rebento, e é tal
minha alegria quando vem à luz,
como se fosse d’alma a doce voz.
Também parece que é tão natural,
quando o concebo a ideia já reluz,
porém, nos cabe pouco tempo a sós...
Nilza Azzi
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