Da tristeza
Tenho uma dor, antiga como a vida,
se tem um nome, deve ser Tristeza.
Já vim ao mundo, dela acometida,
antes que a minha alma fosse acesa.
Para deixar de estar assim perdida,
na solidão, em meio às incertezas,
fiz contra a deusa súbita investida:
– Tornei-me alegre (estúpida proeza!).
E nesta vida, onde há pouco e tanto,
de uma alegria que persiste breve,
de uma tristeza que nunca prescreve,
a alegria envolve-me à vontade,
mas é tristeza o que da alma evade
e vem amalgamar-se ao meu espanto.
Nilza Azzi
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